Teletrabalho: 47,5% dos petroleiros relataram aumento da jornada de trabalho

Apesar de estarem trabalhando mais do que presencialmente, 81% gostariam de continuar em teletrabalho integral ou de forma híbrida; 1.242 trabalhadores participaram de pesquisa da FUP

Sindicatos entregaram uma proposta de regramento para ser incluída no Acordo Coletivo de Trabalho (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Por Guilherme Weimann

Desde o início deste mês de julho, trabalhadores da Petrobrás estão retornando gradualmente ao trabalho presencial após um período de quase um ano e meio em teletrabalho, regime instaurado pela empresa a partir da chegada da covid-19 ao Brasil. Neste contexto, a Federação Única dos Petroleiros (FUP) divulgou uma pesquisa realizada com 1.242 petroleiros, entre os dias 19 e 25 de agosto do ano passado, sobre a rotina do trabalho remoto.

Do total de participantes, 85,1% são da Petrobrás (holding), 14,7% da Transpetro e 0,2% da TBG. Antes da pandemia, 57,1% trabalhavam em cargos administrativos com horário flexível, 32,5% em cargos administrativos com horário fixo, 3,8% em plataformas, 3,5% em turno de 8 horas, 1,9% em turno de 12 horas e 1,1% em teletrabalho piloto. A partir da chegada da covid-19, 86% se mantiveram integralmente em teletrabalho e 14% em um sistema híbrido (presencial e remoto).

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Uma das principais conclusões da pesquisa é o aumento da carga de trabalho no novo regime: 47,5% relataram estar trabalhando mais, 44,5% afirmam que não houve alteração e apenas 8,1% apontam que houve uma diminuição do tempo laboral. Uma das pistas para isso é o fato de que 91% das pessoas conseguem manter um horário de referência para começar a trabalhar, mas 33% não conseguem manter um horário de referência para terminar de trabalhar.

Como principais dificuldades do teletrabalho, 9% apontaram o aumento da carga de trabalho, 6,5% os afazeres domésticos e 5,5% a presença de outras pessoas na casa. Apesar disso, 81% gostariam de permanecer no regime de teletrabalho – 53,6% integralmente e 27,4% em sistema híbrido – e apenas 18,9% não pretendem continuar.

Leia também: O impacto da covid-19 na vida das mulheres petroleiras

Dos participantes da pesquisa, 74,9% são homens e 25,1% mulheres – na Petrobrás, o número de trabalhadoras mulheres é de 17%. Se apenas 4% dos homens afirmaram gastar 20 horas ou mais por semana com afazeres domésticos, o número sobe para 12% entre as mulheres.

Negociação das regras

Tanto o início, como o término do teletrabalho foram definidos de forma unilateral pela direção da Petrobrás. Além disso, todo o funcionamento do novo regime de trabalho foi imposto sem nenhum diálogo com os trabalhadores e suas representações sindicais – incluindo a redução da jornada de 8 para 6 horas, com diminuição proporcional de 25% dos salários.

Diante disso, a FUP e seus sindicatos filiados, como o Sindicato Unificado dos Petroleiros do Estado de São Paulo (Sindipetro-SP), defendem um novo regramento negociado entre empresa e trabalhadores. A proposta, construída de forma coletiva ao longo dos últimos meses nas bases espalhadas pelo país, foi apresentada à estatal no último dia 14 de julho.

As principais premissas, que devem ser incluídas na Cláusula 58 do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT), são a adesão opcional, com previsibilidade de duração e controle de jornada; a negociação coletiva; o estabelecimento de uma divisão de custo do trabalho e responsabilidade com a infraestrutura.

Essas pautas dialogam com demandas apontadas pela pesquisa: 92% dos participantes defenderam que o regramento do teletrabalho deve ser negociado com os sindicatos; 87% que as regras sobre quem poderá optar por esse regime devem ser claras e objetivas; e 81% de que haja mais clareza sobre a período de vigência do teletrabalho.

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