Na visão do sindicato, expansão da Replan é fundamental e positiva, mas precisa vir acompanhada da recomposição do efetivo da unidade

A Refinaria de Paulínia (Replan), maior refinaria do Brasil, está passando por um período de expansão significativa, o que é visto como positivo para o desenvolvimento da região e do país. No entanto, o Sindipetro Unificado tem levantado sérias preocupações em relação aos riscos relacionados à segurança e às condições de trabalho, que segundo a entidade, estão se deteriorando devido à falta de efetivo.
O sindicato enfatiza que a expansão da refinaria, por mais benéfica que seja, perde todo o valor se resultar no adoecimento ou em algo pior para um único trabalhador. As denúncias de problemas de segurança, incidentes, acidentes e vazamentos têm sido constantes, e a principal causa apontada é o baixo efetivo. Apesar das contratações recentes, os novos trabalhadores ainda não possuem a experiência e autonomia necessárias. A preocupação é que, no futuro, mesmo com a formação desses novos profissionais, o número de trabalhadores ainda seja insuficiente diante da expansão da refinaria e das próximas aposentadorias.
A solução adotada pela gestão da refinaria para contornar a falta de pessoal tem sido o excesso de horas extras. O sindicato alerta que essa prática, que deveria ser uma exceção, tornou-se a regra, caracterizando-a como uma “gambiarra” e não uma solução real. O estado físico e psicológico dos trabalhadores é uma preocupação central, pois a fadiga resultante do excesso de jornada pode levar a um aumento de ausências e licenças médicas, agravando ainda mais a dificuldade de compor as equipes de turno. A combinação de fadiga e excesso de tarefas é vista como uma receita para acidentes. Para o Unificado, mais do que uma solução, a adoção das horas extras como regra é a consequência de um problema crônico.
Incidentes Recentes e Relatos Preocupantes
O sindicato apresentou uma série de relatos específicos dos últimos meses, concentrando-se no setor HDT Norte, que ilustram a gravidade da situação:14 de junho de 2025: Um grupo de trabalho operou com duas pessoas a menos do que o habitual
- 19 de maio de 2025: Houve um vazamento considerável de hidrogênio no selo do C528301, com relatos de extensas labaredas de chamas
- Março de 2025: No HDT-D, operadores da parada de manutenção assumiram outros postos de trabalho, não permanecendo em suas funções originais. Em um caso de emergência elétrica, o operador da área não teve conhecimento do ocorrido por estar na parada, sem comunicação na faixa de rádio da emergência
- Liberação de serviços em áreas desconhecidas: Operadores de unidades em funcionamento estariam liberando serviços em unidades em construção, sem poder acompanhar esses trabalhos ou ter conhecimento das reais condições
- Operadores inexperientes em postos de turno: Operadores treinados apenas em horário administrativo estariam assumindo postos no turno sozinhos, sem acompanhamento. É importante que os treinamentos sejam feitos de maneira efetiva, e não apenas para cumprir metas de prazos.
- Supervisores assumindo áreas: A falta de efetivo tem levado supervisores a assumir outras áreas, e como não conseguem estar em dois postos ao mesmo tempo, a execução de uma das funções fica comprometida
- Comissionamento inadequado das novas unidades (1230 e 5283): O comissionamento foi realizado principalmente por trabalhadores contratados e sem o acompanhamento da operação, resultando em unidades entregues com problemas de instrumentos (1230) e linhas sujas (5283), gerando retrabalho e sobrecarga para a equipe já reduzida
Além desses problemas específicos, o sindicato aponta um aumento expressivo de ocorrências em toda a Replan. Conforme os próprios cursos de segurança da empresa ensinam, o aumento de incidentes é um indicador de que acidentes maiores e mais graves estão a caminho.
A Voz dos Trabalhadores: A Solução para a Segurança
O sindicato defende que a voz dos trabalhadores e trabalhadoras é essencial para garantir a segurança e a eficiência em ambientes de alta complexidade como as refinarias, pois são eles os que melhor conhecem a realidade da unidade e podem oferecer o diagnóstico mais preciso do que está acontecendo. Há um consenso entre eles, segundo o sindicato, para a necessidade de mais efetivo, mais segurança e mais responsabilidade dos gestores.
O diretor do Sindipetro Unificado, Rodrigo Zanetti, afirma: “Temos que celebrar a conquista do aumento do número mínimo em alguns setores, que foram dilapidados no governo anterior. Todavia, o sindicato considera que a situação atual do efetivo atingiu um limite e que equipes com número abaixo do mínimo não devem mais ser toleradas. Estamos à disposição para discutir a questão do efetivo, levando em consideração a visão dos trabalhadores, que têm sido historicamente ignorados pela Petrobrás nesse assunto”.
