Desmonte da Petrobrás aprofunda crise econômica

William Nozaki, cientista políticio e diretor técnico do Ineep

Por Alessandra Campos

A cada R$ 1 bilhão investido pela Petrobrás são gerados cerca de 36 mil empregos diretos e indiretos na área de exploração e produção de petróleo e quase 40 mil postos no setor de refino. O levantamento é do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo e Gás e Biocombustíveis (Ineep) e tem o objetivo de mensurar os impactos sociais e econômicos que o desmonte do Sistema Petrobrás vai causar ao país.

Segundo o cientista político e diretor técnico do Ineep, William Nozaki, que esteve presente no ato realizado dia 17 na Replan, contra o fechamento da Fafen-PR e as demissões em massa, os prejuízos provocados pelo desmonte são devastadores e têm um impacto econômico fundamental não só para o país, do ponto de vista da soberania energética e autossuficiência petrolífera, mas também da vida real dos estados, municípios e trabalhadores.

“Cada vez que a Petrobrás decide que vai encolher ou fechar uma unidade, o que observamos, de maneira inequívoca, é o empobrecimento da região, a diminuição da arrecadação fiscal e do crescimento econômico, uma diminuição do emprego que vai afetar inclusive as atividades colaterais desse território”, esclarece.

O comércio vai vender menos, completa Nozaki, e a área de serviço terá menor atividade econômica. Isso gera um círculo vicioso que faz com que se aprofundem os problemas relacionados à falta de trabalho, piora na renda e baixa no dinamismo econômico desses territórios. “Temos observado isso de maneira muito intensa onde a Petrobrás já tem sinalizado seu desmonte”, declara.

Nozaki cita, como exemplo, a situação das quatro refinarias colocadas à venda pela atual gestão da Petrobrás. “Nas regiões Nordeste, onde a Petrobrás está se retirando de maneira mais intensa, e Sul do país já percebemos esses efeitos colaterais e as dificuldades que os municípios estão encontrando para reativar o seu nível de atividade e desempenho econômico”, diz ele. Os estudos macroeconômicos do Ineep apontam ainda que cada R$ 1 bilhão que a estatal decide investir gera R$ 1,5 bilhão de crescimento para o PIB brasileiro. “A capacidade de a Petrobrás alavancar o crescimento nacional é muito signifi cativa”, conclui o pesquisador.