Bronca do Peão: Replan reduz equipe de manutenção e ignora riscos

Decisões da gerência da Transferência e Estocagem desconsideram alertas históricos sobre segurança na manutenção

Charge: Bira Dantas

Por Bronca do Peão

Mais uma vez, a gerência da Transferência e Estocagem da Refinaria de Paulínia (Replan) age na contramão das recomendações de segurança e reduz o efetivo da equipe de manutenção. A decisão ignora dados alarmantes já apontados em pesquisas, como a da Scielo Brasil (2002), que indicam que 96,8% dos acidentes nas refinarias estão relacionados às atividades de manutenção — seja na etapa de liberação, execução ou retorno à operação.

Essas atividades concentram o maior número de trabalhadores, exigem contato direto com os equipamentos e prolongada exposição à área industrial. Mesmo sendo um estudo de mais de 20 anos, os dados seguem atuais e coerentes com os acidentes recentes na REPLAN: vazamento de hidrogênio no HDT durante montagem, vazamento de gasolina do TQ-4629 após manutenção, queda de guindaste em tubovia no ETDI e, tragicamente, o acidente fatal com o companheiro Carlos, ainda sob investigação.

O caso do vazamento de gasolina é emblemático: durante a parada de manutenção do Craqueamento, todas as intervenções foram suspensas pelo risco de acidente grave. A Comissão de Investigação apontou que o procedimento vigente há anos estava em “desuso”, enquanto a gerência segue com o plano de extinção da equipe de manutenção.

Após o episódio, não houve mudança na cultura do setor. Treinamentos continuam sendo feitos “a quente”, segundo o próprio Coordenador de Manutenção, e só no último bimestre houve a redução de duas vagas, sem considerar a sobrecarga da equipe que permanece para lidar com quase 2 mil demandas já registradas — fora os planos de manutenção, tanques e demandas de parada de tochas.

Cada vez mais, a liberação de serviços tem recaído sobre o turno, que já executa as rotinas operacionais e agora precisa absorver essa tarefa em uma área com graves problemas ergonômicos — como acessos inadequados, iluminação deficiente, grandes distâncias entre equipamentos e a ausência de treinamento específico. A gerência ainda considera um treinamento EAD de 3 horas como suficiente para suprir essa lacuna.

A redução de efetivo ocorre sem qualquer estudo técnico, consulta à CIPA ou comunicação ao sindicato. No entanto, uma liberação bem feita é a principal garantia de segurança para os trabalhadores diretamente envolvidos na execução das tarefas.

*Texto escrito por petroleiro da base que preferiu não se identificar

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