Câmara aprova urgência do PLP 42/2023, que regulamenta aposentaria especial para quem exercer atividade de risco

Avanço permite que proposta sobre aposentadoria especial seja analisada diretamente pelo Plenário

Petroleiros participaram do seminário “Regulamentação da aposentadoria especial”, realizado por iniciativa dos deputados Leonardo Monteiro (PT-MG) e Érika Kokay (PT-DF)

A mobilização dos trabalhadores e trabalhadoras conquistou uma importante vitória nesta quarta-feira (12). O Plenário da Câmara dos Deputados aprovou o requerimento de urgência do Projeto de Lei Complementar (PLP) 42/2023, que regulamenta a aposentadoria especial para trabalhadores expostos a condições prejudiciais à saúde.

Com a decisão, o projeto poderá ser analisado diretamente pelo Plenário, sem precisar aguardar a conclusão de todas as etapas previstas nas comissões permanentes da Câmara. O requerimento aprovado foi apresentado pelo deputado Alberto Fraga (PL-DF), autor do PLP.

A conquista ocorre após uma intensa mobilização das categorias interessadas na regulamentação da aposentadoria especial. Na terça-feira (11), trabalhadores, dirigentes sindicais, especialistas e representantes de centrais sindicais participaram, na Câmara, do seminário “Regulamentação da aposentadoria especial”, realizado por iniciativa dos deputados Leonardo Monteiro (PT-MG) e Érika Kokay (PT-DF).

O encontro, que contou com a presença do diretor do Sindipetro Unificado, Eric Diego de Castro Marques, colocou no centro do debate as condições enfrentadas por quem trabalha exposto a agentes nocivos, insalubridade, periculosidade e outros riscos ocupacionais. A presença organizada dos trabalhadores e o trabalho de articulação no Congresso foram fundamentais para ampliar a pressão política em torno da matéria.

Urgência não significa aprovação do projeto

É preciso ter clareza: o que foi aprovado nesta quarta-feira foi o requerimento de urgência, e não o conteúdo do PLP 42/2023.

O projeto ainda terá de ser discutido e votado pelos deputados. Durante a análise em Plenário, o texto poderá receber emendas, substitutivos, destaques e outras alterações. Portanto, a conquista da urgência representa um avanço decisivo na tramitação, mas ainda não garante a aprovação das regras defendidas pelos trabalhadores.

Antes da mudança de regime, o PLP tramitava em prioridade e precisava concluir sua passagem pelas comissões permanentes. A proposta já havia sido aprovada pela Comissão de Trabalho e pela Comissão de Previdência, Assistência Social, Infância, Adolescência e Família.

Na Comissão de Finanças e Tributação, a relatora Érika Kokay havia apresentado parecer favorável à aprovação, mas o documento ainda aguardava deliberação. Depois dessa etapa, a matéria ainda teria de passar pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania.

Caminho ficou mais curto

Com a urgência, a conclusão dessas etapas deixa de ser uma condição prévia para que o projeto seja votado pelo Plenário. Os pareceres ainda pendentes poderão ser apresentados diretamente durante a sessão por relatores designados para representar as respectivas comissões.

Na prática, a decisão encurta o caminho legislativo e permite que o PLP seja incluído na Ordem do Dia sem aguardar o encerramento da tramitação nas comissões.

O regime de urgência previsto no artigo 155 do Regimento Interno permite que uma proposta seja levada diretamente à discussão e à votação do Plenário. Isso, porém, não estabelece automaticamente uma data para a análise do conteúdo do projeto.

Nesta quinta-feira (13), foi apresentado um novo requerimento solicitando a inclusão imediata do PLP 42/2023 na Ordem do Dia. Mesmo assim, até o encerramento da sessão do Plenário de 13 de agosto, o mérito da proposta ainda não havia sido votado.

A inclusão efetiva na pauta depende da Presidência da Câmara, comandada pelo deputado Hugo Motta, em articulação com o Colégio de Líderes. Por isso, a mobilização precisa continuar e aumentar.

Agora é ampliar a pressão

A aprovação da urgência demonstra que a organização coletiva é capaz de alterar a correlação de forças e abrir caminhos dentro do Congresso Nacional. Mas esta é apenas mais uma etapa da luta.

Agora, trabalhadores, sindicatos, federações e centrais precisam intensificar a pressão para que o PLP seja efetivamente pautado e para que o texto aprovado assegure uma aposentadoria digna a quem passa anos submetido a agentes nocivos, condições insalubres e atividades perigosas.

Depois de aprovado pela Câmara, o projeto ainda deverá ser analisado pelo Senado Federal. Caso também seja aprovado pelos senadores, seguirá para sanção ou veto da Presidência da República. O texto ainda poderá sofrer alterações durante esse processo.

Até que toda a tramitação seja concluída e uma eventual nova lei entre em vigor, permanecem válidas as atuais regras da aposentadoria especial.

“A urgência foi conquistada. Agora é hora de manter a categoria informada, organizada e mobilizada para garantir a votação do PLP 42/2023. A aposentadoria especial não pode esperar”, afirma o diretor do Sindipetro Unificado, Rodrigo Zanetti.