Sindipetro Unificado

Um casamento, via de regra, não acontece por um decreto ou por uma decisão autoritária – ou pelo menos não deveria ocorrer –, mas a partir de um longo processo de aproximação, da construção de confiança mútua e da criação de símbolos e objetivos comuns. Foi justamente esse o processo, iniciado durante o Congresso Estadual dos Petroleiros, em 1996, que aproximou três sindicatos até então independentes.

Foram vários anos de encontros, diálogos, reuniões e, principalmente, lutas conjuntas em todas as bases representadas pelos Sindipetros de Campinas, Mauá e São Paulo. Até que, no dia 26 de agosto de 2002, foi fundado o Sindicato Unificado dos Petroleiros do Estado de São Paulo.

Sindipetro mauá

Em 1960, trabalhadores da Refinaria União se juntaram para fundar o Sindipetro Mauá. Poucos anos depois, em 1963, o sindicato experimentou sua primeira grande mobilização, que gerou a conquista do turno de 6 horas e a encampação da unidade pela Petrobrás.

Todos esses avanços, entretanto, foram interrompidos pelo golpe militar de 1964. Logo após tomar posse, o governo ditatorial anulou a encampação da refinaria, demitiu mais de 100 trabalhadores e fechou as portas do Sindipetro.

A reincorporação da unidade pela Petrobrás foi ocorrer apenas 10 anos depois, em 1974, quando foi renomeada como Refinaria de Capuava (Recap). Pouco tempo depois, na efervescência do novo sindicalismo surgido na região do ABC paulista, os petroleiros conseguiram se reorganizar enquanto categoria. O resultado disso apareceu no dia 1 de março de 1977, com a refundação do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Destilação e Refinação de Petróleo de Mauá, o Sindipetro Mauá.

Ao longo dos anos, além de atuar nas batalhas históricas travadas pelos operários nas greves do final da década de 1970 e início de 1980, o Sindipetro Mauá travou fortes disputas contra as tentativas de privatização da Petrobrás a partir da década de 1990 e, de forma contínua, pela garantia dos direitos para os trabalhadores.

Sindipetro campinas

Pouco mais de um ano após a inauguração da Refinaria de Paulínia (Replan) – a maior do país até hoje –, no dia 19 de agosto de 1973, houve a fundação do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Destilação e Refinação de Petróleo de Campinas e Paulínia, o Sindipetro Campinas.

Um dos seus fundadores, Jacó Bittar, falecido em maio de 2022, transformou-se não apenas em um dos pilares da luta petroleira como de todo o operariado. Foi um dos fundadores da Central Única dos Trabalhadores (CUT), do Partido dos Trabalhadores (PT) e ocupou o cargo de prefeito de Campinas, entre 1989 e 1992. Em 1983, junto com outros companheiros, conduziu uma greve histórica, em plena ditadura militar.

Desde então, o Sindipetro Campinas tem se colocado ao lado dos petroleiros – com destaque para a participação de seus dirigentes na constituição da Federação Única dos Petroleiros (FUP) – e de todos os trabalhadores, incluindo movimentos sociais do campo e da cidade.

Sindipetro são paulo

Até 1987, os terminais da Transpetro de Barueri, Guararema, Guarulhos e São Caetano do Sul, além dos prédios administrativos de São Paulo, estavam ligados ao Sindipetro de Mauá.


Pouco antes, entretanto, diversos trabalhadores reincorporados da greve de 1983, e impedidos de voltar para a Refinaria de Paulínia (Replan), iniciaram uma discussão sindical justamente nessas bases. A tentativa da empresa de isolar lideranças sindicais acabou gerando efeitos colaterais – benéficos para a organização dos trabalhadores.


Foram quase três anos de negativas por parte da Justiça, até que, no dia 7 de março de 1990, criou-se oficialmente o Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Destilação e Refinação de Petróleo de São Paulo, São Caetano do Sul, Barueri e Guarulhos, o Sindipetro São Paulo. A partir de então, tornou-se importante instrumento de organização dos petroleiros e se colocou ao lado da luta contra as políticas privatizantes dos governos alinhados com a ideologia neoliberal. Além disso, desde a sua fundação, tem aberto sua sede para outros sindicatos e movimentos populares.

primeiros passos

Apesar da repressão da ditadura militar, as décadas de 1970 e 1980 marcaram a ascensão de um movimento sindical combativo em detrimento do corporativismo atrelado ao Estado. Esse período viu nascer o novo sindicalismo, a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e o Partido dos Trabalhadores (PT). Além disso, houve mobilizações massivas pela redemocratização, por uma nova Constituinte e pelas Diretas Já.

A década de 1990, por outro lado, iniciou-se sob os efeitos da queda do Muro de Berlim, que impactaram diretamente o movimento operário. No plano político nacional, a vitória de Fernando Collor de Mello sobre Luiz Inácio Lula da Silva, em 1989, simbolizou a chegada do neoliberalismo, que posteriormente se consolidou nos governos de Fernando Henrique Cardoso.

Para os petroleiros, a década começou com uma das maiores greves da história da categoria, em 1991, que foi uma das precursoras de um movimento que ganharia fôlego no ano seguinte, o Fora Collor. Por outro lado, os sindicatos tiveram que enfrentar a reestruturação produtiva, além de uma série de aposentadorias de lideranças históricas, que haviam se forjado na luta contra a ditadura.

Em 1994, o governo Itamar Franco iniciou discussões sobre a quebra de monopólios estatais, incluindo o setor do petróleo. Foi nesse contexto que os petroleiros realizaram duas grandes greves, uma em setembro e outra em novembro, incluindo pautas econômicas da categoria, que havia perdido aproximadamente 20% de remuneração com a implantação do Plano Real. E foram justamente essas paralisações que prepararam o clima para a maior greve da história da categoria, ocorrida em maio de 1995.

Foram 32 dias de paralisação, que terminou com a invasão militar das refinarias. Apesar de não ter obtido grandes conquistas concretas, a greve de 95 se consolidou como um marco histórico contra o neoliberalismo.

Foi justamente nesse contexto que começaram as primeiras discussões formais sobre a possibilidade de unificação dos cinco sindicatos de petroleiros do estado de São Paulo.

A unificação