Privatização: estudo aponta que metade dos brasileiros é contra a venda da Petrobrás

Apesar de parcela significativa divulgada pelo Ipespe, em pesquisas de outros institutos, e em anos anteriores, o número já atingiu 70% da população

Privatização
De acordo com o levantamento do Ipespe, 67% dos brasileiros são favoráveis à privatização da companhia se isso representar queda dos preços dos combustíveis (Foto: André Motta de Souza/Agência Petrobrás)

Por Petróleo dos Brasileiros

Com o novo anúncio de mudança na presidência da Petrobrás, que agora tem como principal indicado o secretário de desburocratização do Ministério da Economia, Caio Paes de Andrade, o debate sobre o andamento do processo privatista da estatal voltou à tona. Ex-presidente da companhia, o general Joaquim Silva e Luna afirmou em entrevista, inclusive, que o novo indicado deve “abrir avenida para privatização da Petrobrás“. 

Em meio ao ocorrido, o Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas (Ipespe) divulgou em 20 de maio um levantamento que mostra que 49% dos brasileiros são contrários à venda da estatal petrolífera e que 44% acredita que a sua privatização aumentaria ainda mais os preços dos combustíveis. 

Entretanto, em comparação às duas últimas pesquisas do Datafolha que discutiram o tema, realizadas em 2017 e em 2019, observa-se uma queda na parcela de brasileiros que não apoiam a privatização da Petrobrás. No primeiro estudo realizado pelo instituto, o número de pessoas contrárias ao processo era de 70%, e no segundo de 67%. 

Leia mais: “As consequências serão drásticas para o país”, alerta pesquisador sobre privatização

Na opinião do doutor em Ciência Política e professor da Fundação Escola de Política e Sociologia de São Paulo (FESPSP), Aldo Fornazieri, apesar dos dois institutos utilizarem métodos diferentes de pesquisa, é possível traçar paralelo entre os resultados. “É difícil comparar porque são tempos muito distintos, e a opinião pública é sempre influenciada por acontecimentos presentes, o ideal seria uma pesquisa Datafolha recente”, explica. 

Para ele, a mudança no cenário político pela qual o país passou desde 2017 influência na divergência entre os números. “Tem um setor influenciado pelo governo que faz campanha pela privatização e um público de classe média alta que já era favorável. Somados esses dois fatores, aumentou o percentual daqueles que querem a venda”. 

Influência do preço dos combustíveis

A política de preços adotada pela Petrobrás (PPI), a desvalorização do real e a alta dos derivados de petróleo no mercado internacional – em decorrência dos conflitos entre Rússia e Ucrânia – impactaram diretamente o bolso do consumidor brasileiro. 

A consequência disso é que, ainda de acordo com a pesquisa do Ipespe, 67% dos entrevistados se dizem favoráveis à privatização da companhia se isso representar a diminuição dos preços dos derivados. 

Segundo Fornazieri, essas altas podem ter provocado mudança no posicionamento dos brasileiros em relação à privatização da estatal. “Acho que a alta dos preços pode ter influenciado junto com os discursos do governo, porque eles supostamente atribuem o fato da Petrobrás ser inteiramente estatal, o que sabemos que não é, à essa circunstância de elevação do preço dos combustíveis”.

Leia também: Aumento de preços e privatização: como o lucro anual da Petrobrás superou os R$ 100 bi

A posição pró-privatização que o governo de Jair Bolsonaro (PL) vem adotando, de acordo com o pesquisador, traz à população a sensação de que a venda da estatal baratearia o preço dos combustíveis, o que não é bem assim.

Muita gente acha que privatizando [o combustível] sairá mais barato, mas o que acontece é o contrário, porque com a venda o Estado perde totalmente o controle de interferência

Para chegar aos resultados, o Ipespe entrevistou mil pessoas de todas as regiões do Brasil. Já em suas versões anteriores, o Datafolha conversou com 2.765 pessoas em 2017 e 2.878 em 2019, também das cinco regiões brasileiras. Ambas as pesquisas consideram participantes que não responderam ou não responderam. 

Posts relacionados

Sindipetro Unificado participa de debate público sobre preços dos combustíveis em Campinas

Maguila Espinosa

Continua a terceirização às escondidas na Transferência e Estocagem da Replan

Maguila Espinosa

Sindipetro Unificado denúncia privatização em áreas operacionais da Replan

Maguila Espinosa

ACT 2025

Responda a pesquisa da campanha reivindicatória 2025