Vitória: Petroleiros de Três Lagoas (MS) vencem ações contra Petrobrás

Os processos questionavam a condenação de dois trabalhadores da UTE-LCP Três Lagoas, ambos diretores do Sindipetro Unificado-SP, punidos pela Petrobrás por participarem da greve nacional da categoria no último ano

Em primeira instância, petroleiros de Três Lagoas ganham processo contra punição indevida da Petrobrás (Foto: Reprodução FUP)

Por Andreza de Oliveira

No início desta semana, dois petroleiros da Unidade Termelétrica Luiz Carlos Prestes (UTE-LCP) em Três Lagoas, no Mato Grosso do Sul, ganharam processo em primeira instância contra a Petrobrás pela punição indevida aplicada aos trabalhadores sob a justificativa de participação na greve nacional da categoria, ocorrida em fevereiro de 2020.

Condenados, na época, a afastamentos de 14 e 10 dias do trabalho, respectivamente, Albérico Queiroz e Marcos Garcia são diretores de base do Sindicato Unificado dos Petroleiros do Estado de São Paulo (Sindipetro-SP).

“Essa sentença desnuda a arbitrariedade da punição aplicada pela empresa e só reafirma o compromisso desse sindicato, que é lutar pelo diálogo e pela diplomacia, ganhando o apoio dos trabalhadores por escolha, e não por violência ou coação”, afirma Alberico Queiroz, que já era diretor sindical na época da greve.

Pacífica, a greve de 2020 foi a segunda maior da categoria e mobilizou, além de aproximadamente 70% dos petroleiros de áreas operacionais da estatal em todo o território brasileiro, assim como suas famílias. Na UTE de Três Lagoas, a adesão ao movimento foi de 100%.

A Petrobrás, entretanto, não poupou esforços para oprimir tanto os trabalhadores que participaram dos atos, quanto os familiares que apoiavam a luta petroleira. “O maior absurdo foi tratarem o movimento pacífico como um ato violento, mesmo com a presença das famílias dos petroleiros, como a minha filha Alice”, conta Alberico.

Segundo Marcos Garcia, que passou a fazer parte da direção do Sindicato após a condenação da Petrobrás, na unidade em Três Lagoas, os trabalhadores foram condenados aleatoriamente pela empresa. “A companhia escolheu, sem nenhum critério, pessoas sem relação com nenhum acontecimento específico para serem condenadas, o que ficou constatado pela justiça ao ganharmos essa ação”, explica.

Para o Sindipetro-SP, o processo ganho representa, além da justiça sendo feita, a união da classe petroleira. “Um ganho porque mostra que a greve ainda mostra união, e que não tem problema participar, não terá retaliação porque se a empresa tentar retaliar, ela vai fazer sem respaldo, então só vai gerar certeza de que ganharemos a causa, como aconteceu agora”, conclui o diretor Marcos Garcia.

Posts relacionados

A quem interessaria a privatização da AMS?

Guilherme Weimann

Petrobrás fere Acordo Coletivo e descumpre liminares relacionadas à AMS

Guilherme Weimann

Caravana unificada tem saldo positivo contra terceirizações em São Paulo

Andreza de Oliveira