Unigel, não aceitaremos sua chantagem emocional

Contrato proposto pela empresa é um passo rumo à opressão e precarização da classe trabalhadora

FAFEN-BA
Unigel demitiu trabalhadores que se mudaram do Paraná para a Bahia sem nenhuma compensação por todo o transtorno causado a eles (Foto: Reprodução)

Por Albérico Santos Queiroz Filho*

A Unigel mais uma vez apela para a chantagem emocional e em um e-mail mais sofrido que sertanejo universitário, se vitimiza e se diz preocupada com os seus trabalhadores e com o Brasil, se coloca de heroína por garantir o abastecimento de Arla 32 e fecha com a ameaça final onde declara seu real objetivo: assinar o contrato de “Tolling” com início imediato para 01/08/2023, sob ameaça de demitir geral. Só que esse contrato é o passo mais bizarro que a Petrobrás dará rumo à opressão e precarização da classe trabalhadora, a terceirização da atividade fim. 

Fazendo-se de sonsa, esquece que demitiu quatro trabalhadores da Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados do Paraná (Fafen-PR) sem nenhuma justificativa relativa à entrega da mão de obra, demitiu apenas por serem ex-dirigentes sindicais. Após se mudarem do Paraná para a Bahia junto de suas famílias, receberam a notícia da demissão, mas sabe qual foi o gatilho? Um pelego safado que ocupava o cargo de supervisão foi fazer queixa de que eles eram dirigentes sindicais só para fazer aquela carícia maliciosa no corrimão do sucesso, que só é possível quando a gestão é pautada por valores escrotos. Isso mesmo, sem nenhum nexo causal e tendo apenas o afago do pelego, a Unigel demitiu nossos companheiros sem nenhuma compensação por todo o transtorno causado a eles. Companheiros, a nossa honra tem que ser lavada. 

Quem quiser que acredite nessa ladainha, a choradeira é por dinheiro e medo da multa pela rescisão do contrato, e para proteger o patrimônio de uma das famílias mais ricas do país, colocam os trabalhadores na linha de frente para servir de escudo emocional. Nós sabemos muito bem que para essa gente somos apenas números, e não vamos abaixar a cabeça nem sentir pena da choradeira. Sabemos muito bem das manutenções negligenciadas e dos riscos que os trabalhadores foram expostos para o bolso dos bilionários ficarem mais gordos. Sabemos muito bem da influência que vocês ainda cultivam dentro da Petrobrás, mas temos más notícias: o modo de operação sujo será revelado e cada agente envolvido será exposto sem nenhum pudor. 

Recomendo fortemente que compreendam que a cada revolução na comunicação há também uma revolução social, foi assim com o surgimento do rádio, do telefone, da televisão, da internet e estamos assistindo agora a revolução causada pelas redes sociais.  O tempo é favorável à verdade e ela vai brotar. Recomendo também que entreguem dignidade aos trabalhadores com um bom plano de demissão, sabemos que a manutenção da Unigel no negócio de fertilizantes é inviável e que a Petrobrás não pode absorver os funcionários, já que pela lei das estatais o concurso público é obrigatório, não iremos vender terreno no céu para ninguém, mas exigimos condições mínimas para que nossos companheiros e companheiras possam tocar a vida e se preparar para os concursos que virão. Se estão tão preocupados assim, quanto a família bilionária está disposta a desembolsar para atender aos trabalhadores?

E aos ex-funcionários da Petrobrás que hoje trabalham na Unigel, vou lembrar que nem o Bolsonaro está conseguindo escapar da justiça e não devem esperar que serão capazes de sair ilesos, sabemos que tráfico de influência é crime e como crime será tratado, assim como a improbidade administrativa também, essa proposta de “Tolling” feita pela Petrobrás de assumir o rombo da Unigel é criminosa, e garanto que essa trolha proposta não vai cair no colo da Petrobrás, no entanto, o CPF que propôs esse absurdo vai ter que se explicar.

*Albérico Santos Queiroz Filho é diretor do Sindipetro Unificado

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