Sindipetro-SP organiza centro de documentação e memória em Campinas

Desde o início de 2020, todo o acervo de livros, documentos, fotografias e cartazes está sendo catalogado e organizado com o objetivo de preservar a memória sindical

Registro da greve nacional dos petroleiros de 1995, quando a Replan foi ocupada pelo Exército (Foto: Arquivo Sindipetro-SP)

Por Josuel Rodrigues* | Edição: Guilherme Weimann

No início de 2020, começamos um trabalho fundamental visando o resgate e a conservação da memória de todos os arquivos do nosso sindicato – registros fundamentais das lutas social e sindical brasileira, protagonizadas pela categoria petroleira. Os arquivos fazem referência, principalmente, à organização dos trabalhadores da Refinaria de Paulínia (Replan) – a maior do Sistema Petrobrás e responsável pela produção de 20% dos derivados de petróleo do país.

São diversos os tipos de registros históricos que puderam ser constatados ao longo deste um ano e meio de trabalho: greves, assembleias, mobilizações e confraternizações. Todas essas memórias estão eternizadas em documentos que retratam a história do próprio sindicato como um sujeito coletivo de trabalhadores organizados que, de forma continuada, gestão após gestão, continua defendendo a Petrobrás e o patrimônio do povo brasileiro.

Considerando a variedade de suportes, descreveremos aqui parte do material higienizado e organizado até o presente momento. Primeiramente, é importante destacar uma vasta coleção de periódicos, que compreende desde jornais e revistas produzidos pelo nosso próprio sindicato, até publicações de outros sindicatos. Também possuímos um rico acervo da indústria do petróleo, como uma coleção de revistas e boletins publicados pela própria Petrobrás. Esta hemeroteca poderá ser consultada a fins de pesquisas que envolvam a história da imprensa em geral e, mais especificamente, operária.

Dentre os registros de campanhas realizadas pelos petroleiros e petroleiras, identificamos uma coleção de cartazes, panfletos, adesivos e folders. O acervo também contém materiais de aliados e parceiros de nossa categoria, com destaque aos produzidos pela Central Única dos Trabalhadores (CUT) e Federação Única dos Petroleiros (FUP). São diversos os registros de encontros, fóruns, congressos e conferências que contaram com a presença de representantes do nosso sindicato.

Registro da greve de 1995, que faz parte do acervo fotográfico do centro de documentação e memória (Foto: Arquivo Sindipetro-SP)

O conjunto de livros apresenta, até então, mais de sete centenas de títulos catalogados, uma biblioteca especializada em política e mundo do trabalho. Atualmente, as obras já podem ser acessadas por pesquisadores e pelo público em geral, mediante agendamento prévio.

Já a coleção virtual de fotos possui uma extensa documentação que retrata a luta petroleira desde os embates contra a ditadura militar, como em 1983, passando pelas históricas greves de 1990, 1995 e as mais recentes, das quais temos tanto orgulho de ter protagonizado.

Articulado à comunicação do sindicato, nosso objetivo é construir futuramente ambientes de exposição presencial e virtual de parte deste material. Para o centro de memória físico, que ficará na sede do Sindipetro-SP em Campinas (SP), a ideia é fazer uma inauguração oficial a partir do momento que tivermos condições sanitárias.

Esperamos que nosso centro de memória e documentação seja um espaço de conhecimento, guardando os registros de nossa luta – que é constante –, fortalecendo a identidade de nossa categoria, qualificando e estimulando a produção intelectual e a reprodução desse estoque de história viva.

*Josuel Rodrigues é o responsável pela recuperação e organização dos arquivos do Sindipetro-SP.

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