Sindicato da Construção Civil presta solidariedade ao caldeireiro que morreu na Reduc

A morte de José Arnaldo de Amorim, em Duque de Caxias (RJ), representa um dos riscos que os trabalhadores correm ao trabalhar em locais sem a fiscalização adequada

Ato em solidariedade ao caldeireiro reuniu, além da construção civil, diretoria do Sindipetro-SP e terceirizados da Replan (Arquivo Sindipetro-SP)

Por Marina Azambuja

Na última terça-feira (22), o Sindicato da Construção Civil e Montagem (Sinticom) organizou um ato na Refinaria Planalto (Replan), em Paulínia, em defesa da vida e em solidariedade ao trabalhador José Arnaldo de Amorim, que morreu em acidente na Refinaria Duque de Caxias (Reduc), no Rio de Janeiro, no último dia 19.

Estiveram presentes trabalhadores terceirizados de todas as empresas prestadoras de serviço para a Petrobrás em Paulínia e diretores do Sindicato Unificado dos Petroleiros do Estado de São Paulo (Sindipetro-SP).

Durante a ocasião, todos fizeram uma prece e um minuto de silêncio em memória de José Arnaldo. Os trabalhadores também debateram sobre os riscos que a profissão petroleira exige e que nenhum funcionário deveria ser pressionado a realizar qualquer tipo de atividade antes de certificar-se que o ambiente oferece segurança.

A diretoria do Sindipetro-SP, presente no ato, alertou os colegas sobre a atitude da gerência da Replan, que vem disfarçando irregularidades que causam acidentes e, consequentemente, colocam a vida dos trabalhadores em risco.

Para o diretor do Sinticom, Amilton Mendes Santos, a fatalidade que ocorreu com o colega é resultado da pressão que a categoria sofre ao ter que acelerar a execução das atividades. “Algumas observações que os trabalhadores fizeram é que a linha entrou em operação e na realidade eles não fizeram os procedimentos de segurança para a retomada do serviço”, disse.

O diretor destaca que a Petrobrás tem diminuído a contratação de efetivos, mas continua com a grade de horários, fato que tem dificultado o trabalho dos petroleiros e dos trabalhadores terceirizados. “Nós tocamos esse manifesto e esperamos que, a partir daí, a companhia mude o sistema de acompanhamento na frente de trabalho e, de fato, siga os protocolos de segurança”, encerra.

O acidente

No último sábado (18), a Refinaria Duque de Caxias (Reduc), localizada na Baixada Fluminense, presenciou um grave acidente que resultou em fatalidade. Durante uma atividade de manutenção no interior de um equipamento, o caldeireiro José Arnaldo de Amorim, 50, entrou no local confinado e minutos depois foi encontrado morto.

É importante destacar que, antes de acessar o recinto, os trabalhadores precisam da permissão de trabalho, que deve ser assinada por um funcionário da Petrobrás. Posteriormente, a C3 Engenharia deveria fazer a medição de gás antes da entrada da equipe de manutenção, para certificar a segurança do local, mas há suspeitas de que o aparelho estivesse quebrado e a estatal não emitiu nenhuma notificação sobre problemas na estruturação.

De acordo com a reportagem de Beatriz Peres, do Jornal O Dia, o recipiente onde  José Arnaldo entrou necessita de vistorias constantes para averiguar se há vazamento de gases nocivos à saúde dos trabalhadores. Após o acidente, foi confirmado que a válvula de gás foi aberta para a realização de um teste e deveria ser fechada antes da manutenção.

Em vídeo gravado pelos trabalhadores da Reduc, é possível constatar que a ligação de tubulação estava aberta durante o serviço do caldeireiro e proporcionou a entrada de gás sulfeto de hidrogênio (H2S) no local.

O resgate demorou 45 minutos para chegar e foi constatado que a vítima já estava sem vida no momento do socorro. José Arnaldo era prestador de serviços terceirizado da empresa de manutenção industrial C3 Engenharia, que foi contratada pela Petrobrás para atuar na Reduc.

Apesar das suspeitas que apontam as causas do acidente, ambas as empresas prestaram solidariedade à família do trabalhador e divulgaram, em nota, a instauração de um procedimento administrativo para apurar o caso, mas não se manifestaram até que as perícias médica e técnica sejam finalizadas.

Sucateamento

A fatalidade mostrou como a proteção no trabalho está sendo sucateada pelas empresas, que mascaram os índices de acidentes, dando uma falsa sensação de segurança.

De acordo com o Sindicato dos Petroleiros de Duque de Caxias (Sindipetro Caxias), as empresas deveriam treinar os profissionais e utilizar os melhores recursos para evitar que fatalidades como a que ocorreu com José Arnaldo aconteça com mais trabalhadores.

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