Sem negociação ou aviso prévio, Petrobrás desmobilizará o Edicon

A estatal fechará edifício em São Paulo no pior momento da pandemia e deixará 135 petroleiros sem escolha 

Diante ao colapso no Brasil, Petrobrás desmobiliza Edicon e deixa 135 trabalhadores sem escolha (Foto: Reprodução)

Por Andreza de Oliveira

Nesta quarta-feira (24), dia em que o Brasil atingiu a triste marca de 300 mil mortes causadas pela pandemia de covid-19, a Petrobrás anunciou que irá concluir a desmobilização do Edifício Consolação (Edicon) na cidade de São Paulo até o dia 30 de junho.

A mudança, justificada pelo corte de gastos, não foi precedida por qualquer processo de negociação ou mesmo aviso prévio aos trabalhadores. 

Com o fechamento, 135 petroleiros que operam no edifício paulista serão atingidos e terão como opção o remanejamento para outra unidade em que empresa mantenha atividades administrativas (podendo esta ser em qualquer cidade do Brasil) ou a adesão a algum plano de desligamento voluntário disponibilizado pela estatal, que anunciou um específico para o Edicon.

Para o diretor do Sindicato Unificado dos Petroleiros do Estado de São Paulo (Unificado-SP), Tiago Franco, a Petrobrás foi irresponsável ao decidir pela desmobilização do edifício e provocar a necessidade de mudança dos trabalhadores perante a medidas restritivas de circulação em um momento de colapso do sistema de saúde no país por conta da pandemia.

“Esse processo é um absurdo porque, com o fechamento do prédio, promoverá a demissão de terceirizados e a transferência de mais de 100 trabalhadores que precisarão buscar por casa, escola para os filhos, entre outras coisas”, criticou.

Leia também: Terceirizada da Petrobrás demite trabalhadoras durante pandemia

A Petrobrás divulgou em documento oficial que responde aos principais questionamentos da categoria e que os petroleiros do Edicon receberão até o dia 30 de abril um comunicado individual sobre a situação de cada um. Entretanto, já foi previamente definido que as Gerências Executivas decidirão os endereços de remanejamento.

“Já causou um incômodo o fato de que as localidades de destino serão definidas somente entre os gestores, sem levar em consideração a opinião dos demais trabalhadores afetados com a desmobilização”, afirmou Tiago.

Além disso, no mesmo material, a empresa informou que a alteração de localidade do trabalhador do Edicon é necessária porque não adotará a possibilidade de teletrabalho integral, visto que a Petrobrás está implementando o modelo híbrido de trabalho – presencial em alguns dias da semana.

Setorial virtual

Para discutir o problema e esclarecer dúvidas, nesta sexta-feira (26), o Unificado-SP realizará, às 17h, uma setorial virtual para contestar o esvaziamento do Edifício Consolação. O link da sala no Meets será disponibilizado com 15 minutos de antecedência via WhatsApp. “É muito importante que todos compareçam para que assim possamos definir nossa posição e lutar por uma gestão de mudança justa e segura”, convida Tiago.

 

 

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