Sem diálogo com entidades sindicais, Petrobrás anuncia retorno ao trabalho presencial

Dividido em três fases, todo o retorno presencial dos petroleiros em teletrabalho está previsto para ocorrer até o início do próximo ano; Entidades sindicais não fizeram parte das discussões

Empresa ainda realizará seis reuniões até o próximo mês para discutir retomada presencial dos trabalhadores pertencentes aos edifícios fechados durante a pandemia (Foto: André Motta/Agência Petrobrás)

Por Andreza de Oliveira

Na primeira semana de setembro, a Petrobrás informou, por ofício encaminhado à Federação Única dos Petroleiros (FUP), que retornará, a partir de 1º de outubro, com as atividades presenciais para petroleiros que estiverem em teletrabalho.

Segundo a empresa, a medida faz parte da retomada gradual das atividades presenciais da companhia após o avanço da vacinação contra a covid-19 e será dividida em três fases, denominadas ondas. A Onda 1 contemplará 20% do efetivo administrativo de cada unidade do sistema a partir de outubro. A segunda, com a volta de 30% dos trabalhadores, está prevista para novembro e a Onda 3 tem previsão para dezembro, com a retomada de 40% do efetivo.

Na primeira fase será priorizada a volta presencial dos trabalhadores que estiverem completamente imunizados com a segunda dose da vacina contra covid-19. Sem especificar quais comorbidades e critérios considerou, a empresa informou que petroleiros pertencentes aos grupos de riscos só voltarão em situações excepcionais, já as trabalhadoras gestantes permanecerão em teletrabalho.

Leia também: Petrobrás quer impor retorno ao trabalho sem negociação com os sindicatos

Nesta quarta-feira (08), a FUP realizou reunião para discutir a maneira mais adequada para os trabalhadores voltarem às atividades presenciais, considerando normas estabelecidas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e fundações de pesquisa brasileiras, como a Fiocruz e o Butantã.

Diretora do Sindicato Unificado dos Petroleiros do Estado de São Paulo (Sindipetro-SP) e da FUP, Cibele Vieira afirma que o principal problema da decisão da empresa foi a falta de diálogo com a categoria sindical. “O que questionamos é a falta da participação do movimento sindical nesse planejamento de retorno da companhia. Não tivemos espaço para participar da discussão, só fomos avisados”, explicou a dirigente petroleira.

Os trabalhadores do administrativo que optaram pelo teletrabalho permanente atuarão de forma híbrida, já o restante do quadro efetivo de toda a Petrobrás tem a perspectiva de retorno absoluto até o início do próximo ano.

Pouca flexibilização

Com seis reuniões agendadas até o mês de outubro, a Petrobrás pretende debater quais mudanças serão aplicadas aos trabalhadores de horário administrativo dos edifícios Edicon e Edisp, ambos fechados durante a pandemia.

Para evitar mudanças de cidade e até mesmo de estado, parte dos trabalhadores dessas unidades pedem por um trabalho totalmente remoto – o que tem demonstrado resultado. “A empresa tem nos escutado mas continua se negando a negociar conosco”, informa Cibele Vieira.

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