Representantes dos petroleiros não aprovam posse de novo presidente da Petrobrás

O nome de Caio Paes de Andrade foi aprovado nesta segunda para assumir presidência da companhia, mas entidades representantes dos petroleiros alegam irregularidades

Ato em frente à sede da empresa reuniu representantes dos petroleiros contra a indicação de Paes de Andrade à presidência da companhia (Foto: Reprodução FUP)

Por Andreza de Oliveira 

Nesta segunda-feira (27), o Conselho de Administração (CA) da Petrobrás aprovou, por sete votos a três, a indicação de Caio Paes de Andrade para a presidência da companhia. O nome também foi aprovado, por oito votos a dois, para compor o CA da empresa. 

Secretário de desburocratização do Ministério da Economia, Paes de Andrade é formado em comunicação social e possui mestrado em administração de empresas. Para a Federação Única dos Petroleiros (FUP), o novo presidente da empresa não possui experiência profissional e formação acadêmica necessária para ocupar o cargo. 

Representante dos trabalhadores da Petrobrás no CA da empresa, Rosangela Buzanelli não aprovou o nome para o cargo. Em seu blog, publicou nota dizendo que a posse também fere o 20º artigo do estatuto da empresa, que exige que os diretores executivos da companhia tenham capacidade profissional, conhecimento e especialização nas respectivas areas de contato em que irão atuar. 

Diretores da FUP e da Federação Nacional dos Petroleiros (FNP) realizaram na manhã desta segunda-feira ato Edifício Sede da Petrobrás (Edisen), na cidade do Rio de Janeiro, contra a posse do novo presidente. A federação afirma que o nome de Paes de Andrade para CEO da empresa inflige o decreto 8945 da Lei das Estatais, que exige formação compatível com a posição. Paes de Andrade também não possui experiência no setor de energia. 

O ato também foi uma resposta da FUP contra a política de preços da empresa, os sucessivos aumentos nos preços dos combustíveis e as constantes investidas do presidente da República, Jair Bolsonaro (PL), e do presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (Podemos/AL), pela privatização da Petrobrás.

Leia também: Troca-troca na Petrobrás é um dos motivos para oscilações na B3, segundo especialistas

Petroleira, diretora da FUP e do Sindicato Unificado dos Petroleiros do Estado de São Paulo (Sindipetro-SP), Cibele Vieira diz que, com a troca constante de presidentes da companhia, Jair Bolsonaro não está preocupado com preços mais baixos para a população. “O método dele é falar uma coisa e fazer outra. Se quisesse mudar algo, indicava um presidente e conselheiros desenvolvimentistas e não liberais que são contra uma petrolífera estatal, afirma. 

A Associação Nacional dos Petroleiros Acionistas Minoritários da Petrobrás (Anapetro) também se posicionou contra a posse de Paes de Andrade. A entidade entrou com uma representação na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) contra a nomeação apontando “atos lesivos ao patrimônio da empresa e aos interesses de seus acionistas”. 

 

Notícias Relacionadas

Petrobrás distribui 138% do seu lucro à custa de corte de investimento e privatizações

Guilherme Weimann

Replan: Sindipetro-SP apoia chapa para a eleição da CIPA

Guilherme Weimann

Petrobrás aprova R$ 87,8 bilhões ou um quinto do seu valor de mercado aos acionistas

Guilherme Weimann