Reportagem em quadrinhos: O país não pode parar

Reportagem e roteiro: Guilherme Weimann | Edição e arte: Vitor Teixeira

No final de abril, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou os dados sobre a taxa de ocupação do primeiro trimestre de 2020, que engloba somente os efeitos do início da pandemia. Nesse período, 2,33 milhões de pessoas perderam o emprego, a maior queda desde o início da série histórica. Desse total, 1,9 milhão são trabalhadores informais. Com isso, 36,6 milhões, que representam 40% da classe trabalhadora brasileira, terão que enfrentar a maior crise sanitária do século praticamente sem seguridade social. Pior que eles, apenas os 12,9 milhões de desempregados e todos os outros que se juntarão nas estatísticas das próximas pesquisas. Mas espere, ainda existe uma estatística pior…

Infelizmente, o coronavírus explicitou a globalização da frase: “você não trabalha para a gente, você trabalha com a gente”. Hoje, ela funciona tanto em um filme do cineasta inglês Ken Loach, como nas quebradas de São Paulo. Numa corrida desesperada pela sobrevivência, o que contraditoriamente poderá resultar em mais mortes, o número de inscrições nos aplicativos de entrega disparou. No IFood, em março, foram 175 mil inscritos como candidatos a novos entregadores. Nesse cenário, os patrões tupiniquins que ainda mantém um “rosto” conseguiram a proeza de protagonizar os comentários mais escatológicos do período no qual os caixões se avolumam. Em debate recente na internet, a presidenta da Federação das Trabalhadoras Domésticas, a pernambucana Luiza Batista, resumiu como ninguém as disparidades do momento: “alguns enfrentam a tempestade em um iate, outros num barquinho”.

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