Reinado de Três Lagoas: O conto do Pequeno Príncipe

Era uma vez um operador que sonhava alto. Seus olhos brilhavam quando ele ouvia histórias de supervisores em castelos distantes. Seu sonho não poderia ficar guardado no seu imaginário. Assim, ele identificou as pessoas à sua volta e percebeu que havia um engenheiro de olhar tímido que um dia poderia se tornar gerente. Então, começou a traçar laços de amizade com o colega, que se fortaleceram.

O tempo passou e o operador que queria ser supervisor teve seu sonho realizado. Ele amava o cargo, mas não sabia o que fazer com ele e, como todo relacionamento abusivo, acabou perdendo seu status por um acúmulo de incompetências. Só que ele não aceitaria isso tão facilmente.

O reino passou por um grande conflito em 2015, sendo seu rei transferido para outro castelo. Nesse momento, o engenheiro assumiu o trono e adotou o ambicioso operador como seu filho. O Pequeno Príncipe, feliz da vida, também adotou o rei como seu pai. Então, como em toda boa relação da família tradicional, papai precisava dar de volta o cargo de supervisor ao seu protegido (quem dera pudesse ser uma embaixada…).

O rei passou a perseguir sistematicamente um dos supervisores e chegou a insinuar, por telefone, que ele estaria fazendo corpo mole para partir a área operacional do castelo. “Estou na piscina e daqui dá até pra ver a lua”, ironizou.
A partir desse dia, o governante ficou conhecido no reinado como “Rei Tonho da Lua”. Após meses de perseguição, e já com a saúde abalada, o súdito entregou o precioso cargo e o rei nomeou seu amado Príncipe para ocupar a vaga. Naquele dia não houve festa no reino, ninguém sentia vontade de cantar uma bela canção.
Não satisfeito, o filho protegido pediu ao pai que trocasse alguns de seus subalternos, que não estavam sendo simpáticos com ele. O pedido foi atendido de prontidão, causando transtornos para muitos operadores. Foram férias que precisaram ser modificadas e aniversário de filho remarcado, entre vários outros distúrbios na vida pessoal de cada um dos envolvidos.
Nada disso seria motivo suficiente para ter uma decisão mais conciliatória. Na mente do Rei Tonho da Lua “não importa se alguém vai chorar, o que importa é ver meu filho sorrir”.

O Príncipe, entretanto, trouxe muitos problemas ao reino. Houve dois vazamentos de óleo de grandes proporções e diversos desvios de conduta, como postar a foto de uma trabalhadora de biquíni e fazer um comentário imoral, mas tudo foi devidamente encoberto pelo papai. Só que tudo tem limite.
Os colegas operadores começaram a se revoltar com os desmandos do Pequeno Príncipe, as ordens arbitrárias, o descumprimento de procedimento e as ameaças diversas. O mimado filho chegou até mesmo a ir à porta da escola da filha de um trabalhador que estava de férias, para pressioná-lo a fazer meia dobra. Porém, papai honrou sua palavra e conduziu a culpa para outro supervisor que nada tinha a ver com a história.

O reino entrou em colapso! O rei foi denunciado por fraude na folha de ponto do supervisor que saiu do cargo para dar lugar ao Príncipe, os operadores se rebelaram contra os abusos do tal Príncipe. O rei ficou furioso!
Em um ato de desespero, o rei desmanchou o grupo do Príncipe, deu a ele novos soldados e puniu a todos os outros do seu reinado, retirando o acesso ao Wi-Fi em uma unidade que não pega bem sinal de celular. O Rei Tonho da Lua usou o medo como demonstração de poder para conquistar o “respeito” de seus súditos e provocou uma revolução. Os novos servos que o rei designou para serem comandados pelo Príncipe não aceitaram trabalhar com ele.

O rei estava aflito e se viu sem saída. Em um ato irado declarou que o novo grupo seria do jeito que ele determinou, pois ninguém queria trabalhar com o seu amado Príncipe. O reino está em chamas e ainda não sabemos como será o final dessa história.

 

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