Quem estiver comprando “coisas da Petrobrás” está correndo risco, adverte Lula

No primeiro pronunciamento depois de recuperar os direitos políticos, Lula sinalizou para a possibilidade de reverter o ciclo de desmonte da Petrobrás

“Agora, se o mercado quer ver a entrega da soberania nacional, não votem em mim. Nós não vamos privatizar”, garantiu Lula (Foto: Ricardo Stuckert)

Por FUP

Nesta quarta-feira (10), em entrevista concedida na sede do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo dos Campos (SP), o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez um alerta sobre o falso “risco Lula” anunciado pela mídia corporativa ao condenar uma possível candidatura à presidência em 2022. “Se o mercado quer ganhar dinheiro investindo em coisas produtivas, se o mercado quer ganhar vendo o povo ser consumidor, ele tem que gostar de mim. Agora, se o mercado quer ver a entrega da soberania nacional, não votem em mim. Nós não vamos privatizar”, afirmou.

“Não tenham medo de mim. Eu sou radical porque quero ir à raiz dos problemas neste país. Porque quero ajudar a construir um mundo justo, mais humano, em que trabalhar e pedir aumento de salário não seja crime”, disse Lula, no primeiro pronunciamento após o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, ter anulado as condenações que lhe foram impostas no âmbito da Lava Jato.

Leia também: “Temos de gritar todos os dias: o Brasil não está à venda”, afirma Lula no Confup

Em seu discurso, Lula fez duras críticas às privatizações no Sistema Petrobrás e à política de preços dos combustíveis. “Quem estiver comprando coisas da Petrobras tá correndo risco porque a gente pode mudar muita coisa”, alertou o ex-presidente, condenando a privatização da BR Distribuidora e de vários outros ativos da empresa que foram privatizados por preços abaixo do valor de mercado pelos governos Temer e Bolsonaro.

“Não é possível permitir que o preço do combustível brasileiro tenha que seguir o preço internacional se nós não somos importadores de petróleo. O Brasil é exportador. Nós produzimos a matéria prima aqui, nós tiramos do fundo do mar, nós conseguimos refinar aqui derivados de qualidade”, afirmou o ex-presidente.

Pandemia

Ao criticar o governo Bolsonaro na condução da pandemia, o ex-presidente Lula relembrou que o Brasil teve várias oportunidades de imunizar a população. “Foram várias vacinas rejeitadas, ele rejeitou a Pfizer e inventou cloroquina”, lamentou. E ainda alertou: “Não sigam nenhuma recomendação imbecil do presidente e do ministro da Saúde”.

O petista também disse que o Brasil vive um momento caótico. “Não temos governo neste país. Não cuida da economia, do emprego, da saúde, do meio ambiente”, destacou.

Lava Jato

Lula também afirmou que vai continuar brigando juridicamente para que seja declarada a suspeição do ex-juiz e ex-ministro Sergio Moro. O julgamento do caso, a cargo da Segunda Turma do STF, foi interrompido, após o ministro Kassio Nunes Marques pedir vistas do processo. Os ministros Gilmar Mendes e Lewandowski votaram pela suspeição. Por sua vez, a ministra Cármen Lúcia deu indícios de que pode rever seu voto proferido na primeira sessão do julgamento, em 2018, desta vez se posicionando contra a conduta de Moro.

Lula chamou o ex-ministro de Jair Bolsonaro de “o maior mentiroso da história do Brasil”, e que ele era considerado “um herói, por aqueles que queriam me culpar”. “Deus de barro não dura muito tempo”, provocou. Tenho certeza de que hoje ele deve estar sofrendo muito mais do que eu. Dallagnol deve estar sofrendo muito mais. Porque eles sabem que cometeram erros. E eu não cometi”, declarou.

Veja a íntegra da entrevista coletiva:

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