Quais são os desafios atuais para o setor petrolífero?

Durante seminário da direção do Sindipetro-SP, especialistas debateram a conjuntura nacional e internacional do petróleo

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Petroleiros terão papel central na retomada da Petrobrás enquanto empresa pública (Foto: Kamá Ribeiro/Sindipetro-SP)

Por Marina Azambuja, especial para o Sindipetro-SP

Ao longo desta semana, a direção do Sindicato Unificado dos Petroleiros do Estado de São Paulo (Sindipetro-SP) realizou um seminário com representantes da direção de todas as regionais, com o objetivo de discutir a atuação da entidade diante da conjuntura política do país.

O encontro ocorreu entre quarta (10) e sexta-feira (12), de forma híbrida, na sede da regional Campinas. Estiveram presentes parte da diretoria, especialistas do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep) e membros de movimentos sociais.

O diretor do Sindipetro-SP e da Federação Única dos Petroleiros (FUP), Arthur Bob Ragusa, mediou a primeira mesa, que se debruçou sobre a atual situação da Petrobrás, os impactos internacionais da guerra entre Rússia e Ucrânia no setor petrolífero e os desafios da transição energética.

O debate foi composto pelo economista do Dieese, Cloviomar Cararine; pelo professor de economia política e pesquisador do Ineep, José Luís Fiori; pelo coordenador do Ineep, Rodrigo Leão; e pela pesquisadora do Ineep, Nathália Dias.

De acordo com Cararine, a partir de 2003, com a ascensão de Luiz Inácio Lula da Silva à presidência da República, houve uma elevação exponencial dos investimentos em diversas áreas da Petrobrás – na prospecção, exploração e produção e refino.  

Esse incremento nos investimentos da estatal levou à descoberta do pré-sal, em 2006. Após o golpe, entretanto, essa enorme riqueza foi sendo fatiada por empresas estrangeiras. 

De acordo com cálculos do Dieese, dos 104 bilhões de barris de óleo equivalente leiloados do pré-sal até agora, a Petrobrás detém apenas 49% das reservas, enquanto o restante foi comprado por petroleiras internacionais.

“É preciso pensar como a Petrobrás deve atuar diante do cenário atual no petróleo”, apontou Cararine.

Efeitos da guerra 

A segunda exposição foi realizada pelo economista e pesquisador do Ineep, José Luís Fiori, que refletiu sobre os impactos internacionais da guerra entre Rússia e Ucrânia e como o sistema petrolífero e de gás são afetados no mundo e no Brasil. 

O professor universitário destacou o embate entre Estados Unidos, Rússia e China e o desgaste da imagem de Joe Biden no cenário internacional, que se agravou ainda mais com a visita da presidente da Câmara dos Deputados dos EUA, Nancy Pelosi, à Taiwan, território pertencente à China.

Fiori também destacou que as sanções dos países do G7, inclusive os EUA, para prejudicarem a Rússia não surtiram os resultados esperados. “O verdadeiro conflito na Ucrânia é entre a Rússia e os EUA. A Rússia está ganhando o campo de batalha. O que está em questão é por quanto tempo a população ucraniana se manterá com as tropas americanas”, questionou. 

Um dos efeitos imediatos sentidos no Brasil foi no setor dos fertilizantes, já que grande parte dos produtos consumidos no país são importados da Rússia. Esse cenário foi agravado pelo fechamento da Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados do Paraná (Fafen-PR) e pelo abandono da construção da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados (UFN3), em Três Lagoas, ambas da Petrobrás.

Transição energética

A última apresentação foi realizada pela pesquisadora Nathália Dias e pelo coordenador técnico Rodrigo Leão, ambos do Ineep, que se debruçaram sobre a adesão dos países e das grandes empresas do setor à transição energética.

Dias apontou que as empresas estão se adequando à transição de acordo com os interesses de cada país. “Essas energias renováveis e as medidas de eficiência energética têm potencial para atingir 90% das emissões de carbono necessárias para conseguirmos manter os limites estabelecidos”, explicou. 

Já Leão destacou a disputa pelo poder no sistema internacional e que o investimento em energia renovável seria uma alternativa para que a Europa deixe de depender do gás russo. “Há um desespero para que a Europa consiga avançar na transição energética. O ritmo e a forma da transição vai variar muito de país para país”, concluiu.

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