Quais as expectativas para o mercado petrolífero em 2022?

Após registro de aumento em 49% no preço dos derivados de petróleo no último ano, especialista aponta tendências para o mercado no ano de 2022 

Apesar de incerto, ano no mercado de derivados de petróleo deve ser influenciado, principalmente, por variantes da covid-19, conflitos internacionais e políticos no Brasil (Foto: Marcello Casal jr/Agência Brasil)

Por Andreza de Oliveira

Com o aumento no preço dos combustíveis, anunciado pela Petrobrás na segunda semana do ano, as especulações sobre quais serão os comportamentos relativos ao preço do petróleo ao longo de 2022 já começam a pipocar.

Neste mesmo cenário, os casos diários de covid-19 batem recorde, devido à propagação da variante ômicron, reforçando incertezas que permeiam todo o setor petroquímico mundial.

Cientista político e coordenador técnico do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep), William Nozaki respondeu às principais dúvidas acerca das previsões para a indústria petroquímica neste ano. 

O que dá para afirmar sobre como ficará o setor no ano de 2022?

Tem muita incerteza ainda sobre como vai ficar o preço no Brasil, por conta da ômicron e das novas variantes. Tinha-se uma expectativa de que com a retomada, com o avanço da vacina e com o fim da pandemia, o preço do barril fosse aumentar porque a atividade econômica cresceria. 

Com esse banho de água fria que vem com as novas variantes e essas ponderações de como as atividades ficarão, alguns setores colocam um pé no freio de novo, como o aéreo, porque tem um número importante de funcionários contaminados. Então, provavelmente, o nível de recuperação econômica vai se desacelerar.

De qualquer maneira, há uma tendência de aumento progressivo do preço do petróleo conforme a situação da pandemia for sendo minimizada, mas esse aumento está longe de significar um novo boom no preço internacional do barril. 

Como fica o mercado petrolífero brasileiro?

Isso vai impactar o mercado brasileiro por conta do preço de paridade de importação. A gente já teve esse aumento anunciado pela Petrobrás e ao longo dos próximos meses é provável que tenhamos outros aumentos que chegarão na bomba dos postos de combustíveis se o governo não tomar nenhuma medida para evitar essa situação. 

O aumento dos preços dos derivados ter batido quase 50% no último ano é expressivo se a gente pegar a inflação acumulada de 10,6% do ano passado. O elemento que mais impulsionou essa subida dos preços foi os combustíveis e a energia elétrica. Se você somar os derivados e luz elétrica, esses elementos foram os principais para provocar essa inflação de dois dígitos. 

Com o avanço da vacinação, dá para prever uma melhora no cenário? 

Como a vacinação reestabelece um nível de normalidade, diminui-se o nível de isolamento social, a atividade econômica volta a aquecer e a demanda por energia e petróleo aumenta, ou seja, isso impulsiona a subida do preço. 

Ao que tudo indica, neste ano não deve ter lockdown, apesar de que devemos voltar a ter algumas medidas de restrição, por isso deve ter uma tendência de subida no preço, mas não tão acelerada. 

Quais conflitos podem influenciar o preço do petróleo no mercado internacional e de seus derivados no Brasil?

No caso específico do petróleo, tem esses problemas na Ucrânia, no Cazaquistão, na relação da Rússia com a Europa, que podem provocar algum impacto no preço internacional do gás, então essa dimensão é mais sensível neste começo de ano. 

No Brasil, os conflitos eleitorais podem impactar no preço dos derivados dependendo de como avançam os programas de desinvestimento da Petrobrás e se o governo tomar alguma medida para lidar com esse provável aumento dos preços de derivados. Por isso, é um ano de muita incerteza.

Leia também: Quem são os presidenciáveis e o que pensam da Petrobrás

Como ele está começando agora, está tudo em stand by. Talvez, quando o Congresso voltar do recesso e retomar as discussões sobre as medidas que precisam ser tomadas para lidar com a situação econômica brasileira, a gente tenha mais elementos para pensar o que vai acontecer ao longo do ano. Mas certamente será de muita incerteza, tanto pelo cenário da pandemia quanto pelo eleitoral e toda a condução econômica e política que temos tido no Brasil com esse governo. 

 

 

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