• Home
  • Unificado
  • Promoção entreguista: compre uma refinaria e ganhe a Transpetro de brinde

Promoção entreguista: compre uma refinaria e ganhe a Transpetro de brinde

No dia 27 a direção da Petrobrás divulgou para o mercado o modelo de desmonte das refinarias Landulpho Alves (RLAM), na Bahia, Abreu e Lima (RNEST), em Pernambuco, Alberto Pasqualini (REFAP), no Rio Grande do Sul, e Presidente Getúlio Vargas (REPAR), no Paraná.
Segundo o informe “o modelo prevê a criação de duas subsidiárias, uma reunindo ativos da região Nordeste e a outra reunindo ativos da região Sul. A Petrobrás pretende vender 60% de sua participação acionária em cada uma dessas novas sociedades”.
Além das refinarias, entram no pacote de desmonte dutos e terminais operados pela Transpetro e integrados a essas refinarias: no Nordeste, dois terminais aquaviários (Madre de Deus e Suape); três terminais terrestres (Candeias, Itabuna e Jequié); dois dutos de suprimento de petróleo; um poliduto e 35 dutos de derivados interligando as refinarias às bases e terminais de distribuição.
No Sul, o modelo abrange os terminais aquaviários de Paranaguá, São Francisco do Sul, Tramandaí e Niterói; os terminais terrestres  de Guaramirim, Itajaí e Biguaçu; dois dutos de suprimento de petróleo; dois polidutos e quatro dutos de derivados interligando as refinarias às bases e terminais de distribuição.
Na avaliação do coordenador do Unificado, Juliano Deptula, este é o maior ataque à Petrobrás pública em seus mais de 60 anos de existência. “Ninguém tenha dúvida de que se passar esse modelo no Nordeste e no Sul, a próxima etapa será o desmonte das refinarias do Sudeste, incluindo a Recap e a Replan, a hora de parar é agora”, afirma Deptula.

Política de soberania nacional
A descoberta do pré-sal, em 2008, trouxe todos os olhares do mundo para o Brasil, afinal, foi a maior descoberta de reservas dos últimos 50 anos em todo o planeta, uma quantidade que poderia colocar o Brasil no seleto grupo dos grandes países produtores e exportadores de petróleo.
A perspectiva da Petrobrás, na época, era de produzir, em 2020, 4,2 milhões de bpd. No entanto, apesar de o pré-sal conter óleo de excelente qualidade, a exportação bruta não agrega valor, o “filé mignon” – todos sabemos – é o que pode ser produzido a partir do refino.
Para garantir a capacidade de refino e o controle sobre a produção, o governo na época (Lula) estabeleceu a construção de cinco novas refinarias e ampliação das que já existiam. Conjuntamente, mudou a lei do petróleo (do modelo de concessão para o modelo de partilha), garantindo maior retorno para o Estado e controle da Petrobrás sobre a extração de petróleo para evitar a exploração predatória e a vulnerabilidade da economia nacional, a chamada doença holandesa (desequilíbrio entre a exportação de recursos naturais e a indústria nacional). Completando o conjunto de medidas, o governo Lula fortaleceu a política de conteúdo nacional, gerando centenas de milhares de empregos.

Na contramão do desenvolvimento
Após o golpe que depôs a presidente Dilma, essa política foi sistematicamente posta de lado. O tucano Pedro Parente foi nomeado presidente da empresa por indicação de José Serra com o objetivo específico de desmontar a Petrobrás e entregar as reservas estratégicas para as companhias estrangeiras. Lembrem que o primeiro projeto de Serra, quando senador, foi tirar a Petrobrás de ser a operadora dos campos do pré-sal. O mesmo Serra que, em 2009, se comprometeu com executivos da Chevron a derrubar a lei de partilha caso fosse eleito presidente.
Discípulo obediente, Parente segue à risca o projeto de desmonte.

Tudo de bom para os parças
No teaser enviado ao mercado dia 27, a administração da Petrobrás não se inibe em informar o ótimo negócio que está proporcionando aos “parças”. Entre outras grandes vantagens, o anúncio destaca:
● Condições estruturais excepcionais do Brasil para o segmento de downstream;
● Grande e atraente mercado com crescimento estável da demanda;
● Cluster exclusivamente posicionado em um importante mercado regional;
● Sistema de refino eficiente e competitivo;
● Potencial significativo de melhoria operacional.
Para os investidores estrangeiros é mais um ótimo negócio feito às custas da soberania energética nacional, do desmonte da maior empresa da América Latina e do desemprego de milhares de trabalhadores, ou você acha que quem ficar com esses 60% vai manter os trabalhadores e as mesmas condições do ACT conquistado com muita luta ao longo dos anos?

Notícias Relacionadas

Frente Petroleira LGBT completa um ano de resistência

Guilherme Weimann

Unificado lança edição especial do Jornal Petroleiros

Guilherme Weimann

SindiPapo: Sexo, sexualidade e exploração do trabalho

Andreza de Oliveira