Vida de petroleiro: Coffee lover

Fernando Lopes não gostava de café, mas tornou-se especialista

Por Alessandra Campos e Andreza de Oliveira

 

O petroleiro Fernando Lopes, operador da Cafor da Replan desde 2002, é um amante de “bons cafés”. A paixão pela bebida começou há cerca de seis anos, motivada por uma provocação da esposa. Antes disso, ele admite que não suportava nem sentir o aroma do café. “Parecia cheiro de pneu queimado”, lembra. Curioso em achar algum atrativo na bebida, Fernando decidiu aprofundar-se no assunto e tornou-se um especialista na arte de fazer cafés especiais.
O primeiro passo foi entrar em um fórum online de coffee lovers (apaixonados por café). No grupo, Fernando descobriu os cafés especiais, que são diferentes dos tipos comercializados no mercado, e teve a chance de experimentar novas torras de grãos. A mistura de sensações despertou a atenção do campineiro. “As torras especiais têm aromas bem interessantes. É possível sentir o gosto do azedo, do ácido, do frutado, notas que eu gosto muito. Não tenho paladar para o doce”, afirma.

Convencido de que existe café bom, Fernando comprou uma máquina semiprofissional de café e um moinho importado. Começou a preparar em casa seu próprio café. A torra era realizada na máquina de fazer pão. “Vi em um vídeo no Youtube que dava para torrar os grãos na máquina de pão. Eu utilizava o ciclo de bater a massa e injetava ar quente por meio de um soprador térmico”, explica.
A primeira experiência não foi das melhores. “A torra ficou sem controle, o que ocasiona ‘defeito’, quando o café pode ter sabor de cereal e cheiro de queimado, pão, carne assada, grama, defumado, vinagre, entre outras coisas”, explica ele. Em busca do aprimoramento, o técnico em química e tecnólogo em automação industrial adaptou a máquina de pão e desenvolveu seu próprio torrador monitorado por software, com sensor de temperatura.
O café que Fernando mais prepara atualmente é o da região de Piatã, na Bahia. Além de conter gosto umami (junção de todos os aromas que o paladar pode sentir), esse café tem notas de frutas cristalizadas e causa adormecimento no centro da língua. A produção do petroleiro, especialmente as torras, é feita nas folgas grandes do turno na refinaria e o café faz sucesso entre os colegas, tanto que Fernando já comercializa alguns pacotes.

Sobre a sua facilidade para identificar as notas dos cafés especiais, ele acredita que talvez tenha desenvolvido paladar e olfato mais aguçados em função do seu problema auditivo. “Eu tenho otosclerose, que atinge o menor osso do corpo humano e, com o tempo, fui canalizando e prestando mais atenção em outros sentidos, o que acabou me ajudando nas avaliações sensoriais”, diz ele.
Além de entender de café, Fernando também é bom em culinária – ele fez um curso de capacitação para cozinheiro chefe pelo IGA (Instituto Gastronômico da América Latina) – e sonha em criar um laboratório de artes gastronômicas, para vender café, pães, licores e outros “experimentos surpreendentes”. “Eu sou muito criativo e já tenho pronto um cardápio com receitas exóticas e muito diferentes. Alguns, provavelmente, vão de chamar de sonhador e outros,
de doido varrido”, diverte-se o petroleiro.
Para acompanhar as receitas de Fernando, é só segui-lo no Instagram: @utiroastcafes