Pedalar para manter a sanidade

Adamec Seccoli

Em tempos difíceis, de ataques à Petrobrás e rebaixamento de direitos, sair de bike por trilhas e estradas, em meio à natureza, passou a ser um dos momentos mais relaxantes para Adamec Seccoli, que trabalha há 13 anos no setor de Inspeção de Equipamentos (IE) da Replan. “Pedalar faz muito bem pra cabeça e ajuda a manter a sanidade, principalmente nessa época estressante que estamos vivendo”, afirma ele.

A magrela sempre fez parte da vida desse campineiro, que começou a pedalar aos sete anos e, com 13, teve sua primeira grande aventura, que ele jura que até hoje sua mãe não sabe. “Eu e um amigo de 12 anos fomos de Joaquim Egídio para Itatiba e depois não tínhamos força para voltar. Não levamos comida, água, nada. Nossa sorte é que um tio do meu amigo morava na cidade e nos emprestou dinheiro. Voltamos de ônibus e levamos as bikes no bagageiro”, lembra.

Depois dessa aventura, Adamec conta que nunca mais parou de pedalar. Ele mora a cerca de 30km da refinaria e, muitas vezes, vai trabalhar de bike, um trajeto que dura mais de uma hora. Nas folgas também costuma sair para pedalar com os colegas da Replan, mas ele afirma que sua companhia preferida é a esposa, Aline. “Ela pedala mais do que eu, que tenho que me esforçar para acompanhá-la”, garante.
Um dos lugares mais marcantes para o petroleiro e que ele costuma ir com frequência é a trilha Curumim, em Joaquim Egídio. Em 2013, Adamec sofreu uma queda muito grave nesse percurso e teve fraturas na bacia e clavícula e trinca na face. “Meu capacete ficou destruído. Fiquei duas horas no chão, urrando de dor, aguardando pela chegada do resgate”.

Por sorte, ele não precisou passar por cirurgia, mas foram quatro meses de reabilitação, incluindo 60 dias de cadeira de rodas e muletas. Depois de recuperado, Adamec fez questão de voltar à trilha, onde sofreu o acidente. “Nesse dia caiu uma tempestade homérica e a sensação foi muita estranha. Passou um filminho na minha cabeça, mas eu tinha que vencer o medo. Gosto de voltar lá para sempre superar o meu trauma”, enfatiza.
O petroleiro é tão fã de bicicleta que, em 2016, ele foi para as Olimpíadas do Rio de Janeiro assistir as provas de mountain bike e já garantiu as passagens sua e da esposa para Tóquio, sede dos Jogos Olímpicos em 2020. “Vamos assistir provas de ciclismo de estrada e alugar bikes para pedalar no Japão”, revela ele, que sempre viaja acompanhado das parceiras de trilha e estrada. “Tenho uma mountain bike e uma speed”, destaca.
Técnico e tecnólogo em mecânica, Adamec sempre gostou de montar bicicletas e “mexer” nas magrelas dos amigos. Em julho, nas suas férias, ele decidiu fazer um curso de mecânico de bike, na escola Park Tool, que é a maior fabricante de ferramentas de bicicletas do mundo. Ele fez 20 dias corridos de aulas e estagiou em uma bicicletaria. Foi aprovado na prova prática e hoje possui certificado internacional.
“Eu já montava bikes há muito tempo, mas agora eu sei como fazer da forma correta. As bicicletas estão cada dia mais sofisticadas e exigem mais conhecimento”, diz ele. Enquanto Adamec é o mecânico dos amigos bikers, sua esposa é a “conselheira” das amigas ciclistas. Aline passa orientações para as mulheres que gostam de pedalar. Ela tem até um insta com as dicas: @minhabikecorderosa.
Adamec ainda não criou um insta, mas já pensa nessa possibilidade. Enquanto isso não acontece, ele passa suas dicas tête-à-tête mesmo. “Se alguém quiser conversar e tirar alguma dúvida é só me procurar que a gente bate um papo”, finaliza o petroleiro.

Por Alessandra Campos