Mais do que um hobbie, Daniel Eles, operador da Recap, define a escalada como um momento de paz e de reencontro com a natureza.

Paz nas alturas

Cume da via Vulcano 180m, Andradas

Escalada virou mais do que um hobbie para Daniel Eles, operador da Recap, se tornou um momento de paz e reencontro com a natureza.

Daniel, hoje com 32 anos, entrou na Petrobrás em 2008, na Replan, como projetista. Na época, morava em São Paulo, ainda cursava universidade, a Federal do ABC, onde se formou em Engenharia de Energia. “Com a rotina de viagens, quase 200 quilômetros, começou a ficar muito difícil conciliar todas as coisas”, conta. Assim, em 2011, prestou um novo concurso e se transferiu para a Recap, em Mauá.

E foi na refinaria que o gosto por escalada esportiva floresceu. “Quando entrei na Recap estava sendo partida a unidade de HDT e vários operadores foram fazer treinamento em outras unidades. O Airton, um amigo que trabalha comigo, foi para a Repar [no Paraná], lá conheceu o Peter, que fazia trilha e escalada, e voltou empolgado e me convidou. Fui uma vez e aí tudo começou”, relembra o petroleiro.

Visual das águas com colegas da Recap

 

Adrenalina e bem-estar interior  

Você olha aquela rocha forjada há milênios pela natureza, imponente, que não irá perdoar um erro seu. A adrenalina sobe, o medo natural se funde ao espírito de aventura. A rocha não é sua adversária, é sua parceira, mas que vai lhe exigir o esforço antes da conquista.

O esporte é sempre feito (ou extremamente aconselhável que seja) por no mínimo uma dupla. O primeiro escala alguns metros, dependendo da via e de seu grau de exposição, fixa o mosquetão em uma espécie de grampo encravado na rocha, prende a corda e se prepara para avançar mais alguns metros, enquanto o parceiro libera corda e faz sua segurança. “É um trabalho de equipe, mas que depende muito do seu esforço individual, é você que está ali, pendurado, tentando alcançar o topo”, explica Daniel.

Uma das maiores escaladas que fez, conta, foi em uma rocha com cerca de 200 metros de altura, que foram vencidos após mais de seis horas. “Quando se está lá em cima, atado apenas por cordas, dá medo sim, mas, principalmente, dá uma enorme sensação de bem-estar, de paz, é como se estivesse em uma meditação profunda”, compara.

Como todo esporte radical, é necessário tomar muitos cuidados, ter treinamento, equipamentos corretos e confiáveis. E, mesmo assim, ninguém está isento de sofrer algum revés. Isso aconteceu com Daniel em uma escalada em Mairiporã. “Eu ia trabalhar no turno da tarde e resolvi, junto com uns amigos, fazer uma escalada. Saímos bem cedo para dar tempo de voltar, a rocha ainda estava úmida, subi uns 5 metros quando escorreguei e cai, quebrei o pé e tive de ficar uns três meses sem fazer qualquer esporte”.

Em outra ocasião, ao escalar a Pedra Ana Chata, em São Bento do Sapucaí – que Daniel considera uma das mais expostas que já enfrentou -, ele prendeu a corda no grampo, já estava a uns 30 metros do chão, continuou subindo, mas não encontrava o próximo. “Foi f…, eu subi mais uns 15 metros e não achava, pensei, se eu cair daqui serão 15 metros até o grampo e mais quinze metros de corda, uma queda muito complicada. Naquele dia fiquei realmente com medo, até encontrar o outro ponto de apoio. Coloquei a corda e fiquei uns tantos minutos ali para baixar a adrenalina”.

Na Recap, ele conta, que esse esporte já começa a contagiar os colegas. “Tem várias pessoas do meu turno e de outros, que estão indo junto em trilhas e escaladas, isso é muito legal, um esporte pouco conhecido no Brasil começa a atrair as pessoas”.

Escalada de São Roque

 

Escalada nas Olimpíadas

A escalada esportiva é uma das cinco modalidades estreantes nos Jogos de Tóquio 2020.Uma novidade olímpica que é praticada na Inglaterra desde o século XIV.

A organização em uma entidade internacional, com promoção de competições de alto nível em paredes construídas artificialmente, é algo bem mais recente, iniciado na década de 1980.

O Brasil tem chances praticamente nulas de medalhar nessa modalidade ainda, mas com adeptos como Daniel, que divulgam o amor pelo esporte, quem sabe o que reserva para 2024.

 

Por Norian Segatto