Petrobrás sai de distribuidora de GNL em meio a crise energética

A venda acontece simultaneamente ao anúncio de paralisação para manutenção de um dos principais campos de produção de gás natural liquefeito (GNL) do país

Gás Local é uma das principais fornecedoras de gás natural no estado de São Paulo, que enfrenta baixa nos reservatórios de água (Foto: André Valentim/Agência Petrobrás)

Por Petróleo dos Brasileiros

O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou nesta quarta-feira (16) a venda da participação da Petrobrás no consórcio Gemini Gás Local de distribuição de gás natural liquefeito (GNL) para a White Martins. Os valores do negócio não foram revelados.

O processo acontece em meio ao enfrentamento da crise hídrica no Brasil e do anúncio de paralisação para manutenção do campo de gás Mexilhão, previsto para ocorrer a partir do dia 15 de agosto e com duração de 30 dias. A unidade, que conecta os campos do pré-sal à Caraguatatuba, em São Paulo, no mês de abril foi responsável pela produção de 11,8% do GNL consumido no Brasil, segundo a Petrobrás.

Formado em 2004, o consórcio Gemini, por meio da distribuidora Gás Local, é responsável por distribuir o gás natural fornecido pela Petrobrás principalmente no estado de São Paulo – cuja capital tem registrado os níveis dos sete principais reservatórios 5% abaixo do que no mesmo período em 2013, um ano antes da pior crise hídrica do estado.

Se aprovado no julgamento que está marcado para a próxima quarta-feira (16), o negócio prevê a venda de 40% do controle que a Petrobrás possui sobre o consórcio e também da planta de liquefação, localizada em Paulínia, no interior de São Paulo. Entretanto, mesmo se a privatização ocorrer, a estatal continuará como fornecedora de gás natural para a distribuidora.

Paralisação no Campo de Mexilhão e possível piora da crise energética

Com a prolongação das secas no Brasil, as termelétricas e empresas geradoras de energia demonstraram preocupação com a parada para manutenção do campo de Mexilhão, e também do gasoduto Rota 1, por possíveis dificuldades para obtenção de gás natural – fundamental para o fornecimento de energia em algumas regiões.

Segundo a Petrobrás, as termelétricas demandam, em média, 37 milhões de m³ de GNL por dia e, para suprir essa carência durante a crise hídrica e a paralisação do campo de Mexilhão, a estatal elevou a importação do gás natural de 20 milhões de m³ para 30 milhões de m³ por dia.

Mexilhão é o quinto campo que mais produz gás natural no Brasil, de acordo com a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

Privatização de gasodutos

Na última terça-feira (16), a Petrobrás recebeu uma proposta para a compra do Terminal de Gás Natural Liquefeito (GNL) da Bahia, posto à venda em fevereiro deste ano e que possui 45 quilômetros de extensão e capacidade de vazão de 20 milhões de m³ por dia.

A proposta de compra foi dada pela empresa norte-americana Excelerate Energy, que pretende pagar à estatal R$ 92,1 milhões parcelados até o ano de 2023.

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