Petrobrás batizará plataformas com nomes de militares

Castello Branco anunciou que homenageará líderes militares com o batismo de plataformas projetadas para operar no campo de Búzios, o maior descoberto no país

Plataformas produzirão no campo de Búzios, o maior em reserva comprovado do pré-sal (Foto: Geraldo Falcão/Agência Petrobras)

Por Guilherme Weimann

Ao longo da história recente, cada sociedade tenta imortalizar seus ícones, que na maioria das vezes fazem parte da elite econômica e social, por meio de símbolos. Recentemente, após o assassinato do norte-americano negro George Floyd por um policial branco, houve a ascensão em todo o mundo do movimento Black Lives Matter (Vidas Negras Importam), que passou a contestar várias dessas alegorias.

A primeira e mais marcante delas foi a estátua do traficante de escravos Edward Colston, em Bristol, na Inglaterra. No dia 7 de junho, manifestantes antirracistas a jogaram no rio que corta a cidade. De acordo com estimativas, Colston transportou aproximadamente 84 mil homens, mulheres e crianças como escravos da África Ocidental para o Caribe e Américas.

O Estado brasileiro, por sua vez, anunciou que pretende resgatar figuras nacionais do século 19 para ilustrar ativos da sua maior riqueza ativa e potencial – a Petrobrás. Em entrevista para comentar o prejuízo de R$ 2,7 bilhões apresentado no balanço do segundo trimestre, o presidente da estatal, Roberto Castello Branco, afirmou que a ideia é homenagear “heróis nacionais, que estão no panteão brasileiro”.

Duas plataformas, uma em fase de construção e outra de projeto, devem ser batizadas com os nomes dos militares Francisco Manoel Barroso da Silva (1804-1882) e Joaquim Marques Lisboa (1807-1897).

Francisco Manoel Barroso da Silva, conhecido como almirante Barroso, e Joaquim Marques Lisboa, lembrado como almirante Tamandaré e patrono da Marinha, têm em comum no currículo a participação na Guerra do Paraguai (1864-1870). No total, essa guerra matou aproximadamente 50 mil brasileiros e 252 mil paraguaios – cerca de 60% da população do país naquele momento.

Leia mais: Com manobra jurídica, direção da Petrobrás fatia empresa para acelerar venda

As plataformas, que possuem a sigla técnica FPSOs (em inglês, unidade flutuante de produção, estocagem e transferência de petróleo), Almirante Barroso e Almirante Tamandaré fazem parte de um conjunto de 12 previstas para Búzios – maior reserva de petróleo comprovada no pré-sal. Estimativas apontam que o campo chegará a produzir cerca de dois milhões de barris por dia.

A empresa também homenageará Ana Néri, que participou da Guerra do Paraguai e foi uma das pioneiras da enfermagem no Brasil, e Anita Garibaldi, que foi uma das lideranças da Revolução Farroupilha, com o nome de duas plataformas no campo de Marlim, no litoral do Rio de Janeiro.

Todas essas plataformas são alugadas. Anteriormente, elas recebiam nomes de cidades do litoral brasileiros, especialmente as confrontantes com os campos. Já as plataformas próprias são nomeadas por números, antecipados pela letra “P”.

Campo de Lula

No dia 7 de julho deste ano, o Tribunal Regional Federal da Quarta Região (TRF4) acatou pedido realizado na ação civil pública, de autoria da advogada Karina Pichsenmeister Palma, e determinou a mudança do nome do campo de Lula, atualmente o maior produtor de petróleo do país. A justificativa é que o nome faz alusão ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Entretanto, pelas regras atuais da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), os campos marítimos no país devem ser batizados com nomes ligados à flora e fauna marinha. No caso, esse campo se referia ao animal lula, ou calamar, da classe dos cefalópodes, que possuem cerca de 60 centímetros de comprimento e vivem no fundo do mar.

A Petrobrás não recorreu e acatará a decisão.

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