Peão Refinado será tema de atividade na Universidade Federal de São Carlos

Os sete encontros da atividade de extensão utilizarão o programa como foco principal de análise, a partir de elementos teóricos da linguística; inscrições estão abertas

peão refinado
Qualquer pessoa interessada pode se inscrever (Arte: Divulgação)

Por Guilherme Weimann

De uma ideia despretensiosa, gestada em meio à pandemia de covid-19, surgiu um dos principais produtos de comunicação do Sindicato Unificado dos Petroleiros do Estado de São Paulo (Sindipetro-SP).

No bojo de uma mudança editorial, iniciada no início de 2020, que deu ênfase ao jornalismo – incluindo um texto mais objetivo para o site e jornal, mas sem cair na falácia da imparcialidade –, houve o diagnóstico da ausência de um canal de diálogo mais estreito com os trabalhadores.

Mais do que isso, equipe e direção do sindicato constataram que havia um espaço em aberto de representação do próprio petroleiro e do seu ambiente de trabalho – o chão de fábrica –, composto por linguagem, signos e assuntos particulares, ou seja, específicos da sua realidade.

Foi assim que surgiu o Peão Refinado, um programa que mescla elementos de talk show, react, stand up comedy e telejornalismo. Apesar da infinidade de pautas que já foram abordadas ao longo de mais de 25 episódios, todas elas carregam o jeito peculiar do trabalhador operário.

Esse padrão estético, e por isso mesmo também político, foi inspirado em uma reflexão do escritor russo Leon Tolstói: “Se queres ser universal, começa por pintar a tua aldeia”. E, neste caso, a aldeia na qual o programa está inserido é a maior estatal brasileira e uma das maiores empresas de petróleo do mundo, a Petrobrás.

Por isso mesmo, carrega em si – de forma implícita e explícita – uma discussão que envolve soberania nacional, papel do Estado brasileiro e, consequentemente, do próprio modo de produção atual.

Expandindo fronteiras

Será esse emaranhado de componentes que permeará a atividade de extensão denominada “Ideias linguísticas e comunicação tecnopolítica – produção, circulação e recepção de discursos político-institucionais em contexto de hiperdigitalização das práticas”, organizada pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar).

A iniciativa se coloca como uma tentativa de agrupar e potencializar discussões que ocorrem desde 2020 entre um grupo de linguistas e membros do Sindipetro-SP. “Nós entendemos que é uma atividade que abre espaço pra tornar sistemático esse encontro, estabelecendo um espaço de reflexão sobre a prática – uma espaço que alimenta a prática, qualifica decisões etc.”, afirma um dos coordenadores da atividade, o linguista Pablo Arantes.

Serão sete encontros virtuais, previstos para ocorrerem entre os dias 11 de maio e 10 de agosto. “Nem todo mundo sabe, mas as atividades de extensão universitária são abertas a pessoas de dentro e de fora da vida acadêmica, podem participar quaisquer interessados nas atividades que são oferecidas via extensão – é a universidade “se estendendo” pra fora de seu núcleo básico mesmo, se expandindo”, explica.

A ideia dos encontros não é propor receitas para fazer comunicação, mas pensar a prática a partir de algumas noções teóricas que podem ser úteis para entender como os sentidos são produzidos, como circulam e como são recebidos pelas coletividades. Tudo isso, em um contexto dominado pelas tecnologias digitais.

“As tecnologias não são neutras, são desenvolvidas com certos objetivos, pra atender a certas necessidades e, quando estão em funcionamento, afetam o modo como nós vivemos esses objetivos e essas necessidades. É uma via de mão dupla entre tecnologia e política”, aponta a outra coordenadora da atividade, a também linguista Luciana Salazar Salgado.

As inscrições podem ser feitas por aqui e estão abertas a todas as pessoas interessadas.

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