Paraíba com muito orgulho

Por Auzélio Alves

Em mais uma desastrada e preconceituosa opinião, o presidente Jair Bolsonaro se referiu a todos os nordestinos como “paraíbas”, termo com a conotação pejorativa, que revela, além do despreparo de quem ocupa a cadeira presidencial, completa falta de decoro de um chefe de nação para seu povo. No dia seguinte tentou contornar a situação posando para fotos com o típico chapéu da região.

No caso de Bolsonaro, a declaração não foi apenas mais um deslize de alguém que tem sérias limitações intelectuais, foi a manifestação do racismo incrustado em todo seu modo de ver o mundo.  Ele – e uma parte da elite e da classe média brasileira – sente aversão pelas individualidades, não suporta conviver com as diferenças, considera todos os nordestinos uma subespécie inferior da humanidade (Trump pensa o mesmo sobre todos os sul-americanos, incluindo o JB). A história já nos mostrou o que acontece quando adeptos de teorias de “raça pura”, “superior” assumem demasiado poder.

Nordestino, sulista, negro, branco, índio, olhos puxados ou cabeça chata, todos somos brasileiros e quem foi eleito presidente deve respeito a todos. O que nos diferencia não é o Estado que nascemos, ou a composição genética que faz uns terem olhos azuis e outros castanhos; o que nos separa é a classe social a qual pertencemos. E isso, também, não depende apenas de quanto dinheiro a pessoa tem. Há pobres de direita, que pensam com a “cabeça do patrão” e há ricos (poucos, é verdade) socialmente comprometidos com o fim da exploração. O que você é ideologicamente é o que te define, não onde você nasceu ou quantas posses sua família tem.

Ao dizer a infeliz frase, Bolsonaro gerou o efeito contrário, o de as pessoas sentirem ainda mais orgulho de serem paraibanas, nordestinas, brasileiras. Viva a Paraíba, terra de Ariano Suassuna, Augusto dos Anjos, João Pessoa Cavalcanti de Albuquerque, Celso Furtado, Elba Ramalho, Jackson do Pandeiro, Herbert Vianna, Geraldo Vandré, José Lins do Rego, Pedro Américo, Sivuca, Chico César, Assis Chateaubriand, Epitácio Pessoa e tantos outros famosos e anônimos, como este que vos escreve.

Abaixo o preconceito e o racismo, viva o povo brasileiro!

Auzélio Alves é diretor do Sindipetro Unificado, coordenador da Regional Mauá do Sindicato, membro da bancada dos trabalhadores na Comissão Nacional Permanente do Benzeno (CNPBz) e paraibano arretado.

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