Para negociar, Sindipetro-SP exige da Petrobrás garantia de pagamento aos grevistas

Em ofício, estatal condiciona abertura de diálogo à suspensão imediata do movimento grevista; proposta será debatida com a categoria

Pauta dos petroleiros inclui cumprimento do efetivo mínimo e plano emergencial para conter acidentes de trabalho (Foto: Itamar Sanches/Sindipetro-SP)

Por Guilherme Weimann

No último domingo (5), a Petrobrás enviou um ofício ao Sindicato Unificado dos Petroleiros do Estado de São Paulo (Sindipetro-SP), em que propõe a negociação das pautas formalizadas pela categoria ainda no final de fevereiro. Essa é uma inflexão no discurso da própria empresa que, no dia 24 de março, havia endereçado uma resposta ao sindicato desqualificando todas as demandas apresentadas.

Entretanto, o documento assinado pelo gerente de Relações Sindicais, Fabricio Pereira Gomes, condiciona a abertura de diálogo à interrupção imediata do movimento grevista. “Caso esse sindicato manifeste interesse pela retomada das reuniões e suspenda imediatamente o movimento grevista, a Companhia se compromete a agendar reunião ainda essa semana”, aponta o comunicado.

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Por essa manifestação, a estatal decidiu não comparecer à Audiência de Mediação do Ministério Público do Trabalho, que deveria ter ocorrido na última terça-feira (6), após representação do assessor jurídico do Sindipetro-SP, João Antonio Faccioli. A partir do entendimento de que a empresa está disposta a negociar, o MPT decidiu suspender a mediação.

Por outro lado, o sindicato enviou um novo ofício à Petrobrás no qual aponta que a condição para a abertura de negociação é o pagamento dos salários de abril a todos os trabalhadores que participam do movimento grevista. “Nosso entendimento é de que essa ameaça de atraso nos salários é uma retaliação à greve, configurando-se como prática antissindical”, aponta o diretor Sindipetro-SP, Arthur Bob Ragusa.

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O sindicalista afirmou ainda que os petroleiros precisam de garantias de que não haverá nenhum tipo de punição para chegarem a uma trégua.  “A gente exige garantias de que não haverá nenhum tipo de constrangimento aos trabalhadores. Além disso, esperamos que a empresa se mostre disposta a negociar de fato”, reforça Ragusa.

A proposta da companhia está sendo debatida pela categoria por meio de reuniões setoriais. Até o momento não houve nenhuma resposta por parte da empresa. 

Pautas

A pauta do movimento grevista, construída em assembleias pelos petroleiros, inclui o cumprimento do efetivo mínimo, que tem sido sistematicamente desrespeitado. “[…] É possível constatar que a Petrobrás continua solicitando grande número de horas extraordinárias na operação, com dobras de turno de trabalho frequentes, além de demonstrar que há falta de efetivo para o cumprimento do número mínimo de trabalhadores, entre outros problemas”, aponta requerimento enviado ao MPT.

O sindicato ainda denuncia erros no pagamento das homologações, questiona a extinção do Saldo AF – que é uma espécie de cálculo para registro de frequência, cobra critérios objetivos e transparentes para mudança de “ênfase” e transferências, reivindica o fim das terceirizações em tarefas inerentes aos cargos de trabalhadores próprios e solicita um plano emergencial para conter a escalada de acidentes. 

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