Para conselheira, pré-sal não teria sido descoberto se Petrobrás fosse privada

Geóloga e representante dos trabalhadores no Conselho de Administração da Petrobrás, Rosangela Buzanelli exalta capacidade tecnológica da estatal para perfurar o poço mais profundo do Brasil, com quase oito quilômetros de profundidade 

A perfuração é equivalente a altura de quase 10 torres do Burj Khalifa, arranha-céu mais alto do mundo, localizado em Dubai (Foto: Alexandre Gentil/Agência Petrobrás)

Por Andreza de Oliveira 

Na primeira quinzena de dezembro, a Petrobrás anunciou a perfuração do poço exploratório mais profundo já alcançado no Brasil, localizado na Bacia do Espírito Santo e com profundidade de 7.700 metros.  

Intitulado Monai, o poço é pioneiro do bloco ES-M-669, quebrando também recordes de perfuração mais profunda da camada do pré-sal no país, atingindo, aproximadamente, 4.850 metros.

Geóloga e conselheira eleita para representar os trabalhadores no Conselho de Administração da Petrobrás, Rosangela Buzanelli explica que a profundidade atingida tem um significado muito grande para mostrar a importância tecnológica da estatal. “Esse tipo de poço traz muita informação para auxiliar geólogos e geofísicos a encontrarem mais petróleo, é um marco na capacidade e pioneirismo da Petrobrás”, afirma. 

Também responsáveis pela exploração do bloco ES-M-669, adquirido a partir da 11ª Rodada de Concessões da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), as petrolíferas estrangeiras Equinor e Total detém 35% e 25% do poço, respectivamente. Entretanto, a Petrobrás foi a responsável por sua perfuração.  

Para Buzanelli, se a Petrobrás também fosse uma empresa privada, os resultados seriam diferentes e nem o pré-sal teria sido descoberto. “Os riscos exploratórios nessas áreas são altíssimos, são necessários investimentos que as empresas privadas não estão dispostas a correr, porque podem resultar em prejuízos. Se a Petrobrás não fosse estatal, não teríamos descoberto o pré-sal porque foi um investimento que só uma empresa pública, que tem compromisso com a soberania energética e independência de um país, está disposta a bancar”. 

Pré-sal foi descoberto a partir de poço exploratório 

O recorde batido pelo Monai até então era do poço Parati, perfurado em 2005 na Bacia de Santos, com 7.630 metros de profundidade e que foi um dos precursores pelo descobrimento do pré-sal. 

“Precisamos desses poços, que mostram rochas, medidas de pressão e uma série de dados que ajudam a entender o que acontece embaixo do mar e facilitam na hora de desenvolver modelos que propõem perfuração e mapeamento de outras áreas para descobrimento de petróleo”, completa Buzanelli sobre a importância dos investimentos realizados pela Petrobrás.  

 

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