O trabalhador ontem, hoje e pós pandemia

Em conferência via redes sociais, especialistas debateram quais os principais dilemas que os trabalhadores tendem a enfrentar com a crise do novo coronavírus

Por Andreza de Oliveira*

Em comemoração ao 1º de maio e dando andamento à rodada de debates via redes sociais, o Sindicato Unificado dos Petroleiros do Estado de São paulo (Sindipetro Unificado-SP) organizou live para conversar sobre as consequências da crise do novo coronavírus aos trabalhadores. O bate-papo foi mediado pelo jornalista Luiz Carvalho e contou com a participação de Fausto Augusto, diretor técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Marilane Teixeira, economista e professora da Universidade de Campinas (Unicamp), e Deyvid Bacelar, diretor do Sindipetro Bahia e da Federação Única dos Petroleiros (FUP).

Em um Dia dos Trabalhadores atípico por conta das medidas de isolamento, os convidados discorreram sobre diversos aspectos que englobam a condição atual e quais são as futuras perspectivas para a classe trabalhadora brasileira – que vêm perdendo voz e identidade – no pós pandemia.

Nesse cenário, manter a comunicação com a categoria petroleira tem sido um grande desafio. Com isso, a falta do diálogo sindical, somado à Medida Provisória 936, torna-se grande inimiga dos trabalhadores, que estão cada vez mais aprisionados e explorados. “Os ataques estão sendo grandes em todos os momentos”, afirma o diretor da FUP, Deyvid Bacelar.

As estratégias econômicas adotadas pela gestão de Jair Bolsonaro (sem partido) para lidar com a crise do novo coronavírus preocupam a professora e pesquisadora Marilane Teixeira.. “Precisamos recuperar os fluxos de renda, mas para isso é necessário a garantia de vida das pessoas porque não existe economia se não tiver vida”, explica.

Outro aspecto que aflige a economista é o valor do auxílio emergencial e a burocracia exigida aos que precisam ter acesso ao benefício. “É necessário garantir uma renda de pelo menos 1 salário mínimo e por ao menos 6 meses”, aponta.Marilene reitera ainda que é preciso ampliar o acesso ao crédito e que o Estado deve intervir para evitar que os bancos sejam as principais fontes de financiamento e, com isso, abusem das taxas de juros.

Desenvolvimento tecnológico e posicionamento das empresas

Diretor técnico do Dieese, Fausto Augusto comentou que a crise pode antecipar tecnologias, como, por exemplo, as viagens que várias empresas exigem e poderiam ser facilmente substituídas por vídeo conferências. “A pandemia está acelerando as mudanças que estávamos para passar, principalmente no meio sindical”, elucida.

O esperado era que a Petrobrás, como estatal, cumprisse seu papel social nesse momento de pandemia, como grandes petrolíferas estão fazendo ao doar combustíveis, o que para Bacelar piorou durante o governo de Bolsonaro. “A Petrobrás só doou 600 mil testes, o que é muito pouco e aprofunda ainda mais a crise econômica junto com as medidas de privatização”, opina.

Pós pandemia

Para Fausto Augusto, o Brasil sairá dessa crise como se tivesse passado por uma gripe espanhola ou uma 2º Guerra Mundial. Para ele, também preocupa a possibilidade de subordinação da América Latina em relação aos Estados Unidos na retomada do seu papel como maior potência econômica mundial, já que o país é, até o momento, o mais afetado pela Covid-19.

Por isso, para o diretor técnico do Dieese, é de extrema importância uma abrangência melhor e maior das organizações sociais, como, por exemplo, da Central Única dos Trabalhadores (CUT). “O sindicato é fundamental pois está presente na vida dos trabalhadores brasileiros”, sugere. 

Marilane demonstrou posicionamento semelhante, no momento em que apontou que a crise talvez seja um processo de ascensão para a classe trabalhadora que vem perdendo muito espaço e força. “Já que os ambientes de trabalho estão sendo repensados, temos de nos preparar”, afirma a especialista.

Acompanhe o bate-papo na íntegra: