O Megazord da Irresponsabilidade: os conflitos nas fábricas de fertilizantes da Unigel

Trabalhadores relatam assédio moral, negligência com manutenção de equipamentos, ameaças de demissões e pressão dos gestores

Unigel
Além de das ameaças de demissões, degradação da qualidade do emprego é percebida pelos trabalhadores nas fábricas arrendadas pela Unigel

Por Albérico Santos Queiroz Filho* 

Seguimos sem solução para o problema criado no governo Bolsonaro, que arrendou as fábricas de fertilizantes nitrogenados da Petrobrás para a Unigel em uma negociação esquisita e com método de gestão razoavelmente questionável. Recebemos diversos casos de assédio aos trabalhadores; a pressão e a ameaça de perder o emprego se tornou uma rotina intramuros.

Além de conviver com a ameaça de demissões por conta da aventura atrapalhada da Unigel no setor de fertilizantes, observamos também uma degradação da qualidade do emprego, principalmente na mão de obra das empresas terceirizadas. As folgas são restritas, as jornadas extenuantes e os salários rebaixados. Todos os que trabalharam nas fábricas quando a gestão era da Petrobrás lembram que a qualidade do trabalho não era o ideal, mas as condições eram absurdamente melhores do que as encontradas hoje. A que custo o discurso de preservar os empregos é viável quando o emprego esfola o trabalhador?

O trip de uma unidade de fertilizantes nitrogenados é um momento extremamente tenso. Garantir o controle das variáveis com a realização das manobras operacionais corretas é fundamental para evitar uma catástrofe industrial. Na Unigel, os trabalhadores denunciaram que esse momento supostamente seria recheado de assédio moral, atitude que vai na contramão da serenidade que a ocasião exige. Posturas como essa colocam toda a comunidade no entorno da fábrica em condição de risco real e iminente, pois um conjunto de falhas que soma negligência da manutenção dos equipamentos (sim, sabemos muito sobre a condição da fornalha), ameaça de demissão e pressão dos gestores para o retorno da produção, formam o megazord da irresponsabilidade.

Nunca é tarde para lembrar que essas unidades só permanecem sendo da Petrobrás por conta de uma negociação onde os trabalhadores renunciaram a um passivo trabalhista em troca do fim da ameaça de privatização durante o governo de FHC. O escárnio com os trabalhadores durante o governo passado foi tão grande que mesmo assim tentaram vender, mas graças ao Sindipetro Bahia, foi barrado na justiça. Apesar disso, a vontade de fazer o povo do Nordeste sofrer era tão grande que fecharam as fábricas, hibernaram e em seguida arrendaram elas para a Unigel, em uma negociação estranha ao público e que claramente favoreceu os interesses do mercado em detrimento das necessidades nacionais.

Agora, nós, trabalhadores do ramo de fertilizantes nitrogenados, em respeito àqueles que abriram mão do seu passivo trabalhista, exigimos o retorno da operação das unidades para a Petrobrás; exigimos que o setor de fertilizantes nitrogenados seja tratado com a seriedade que o seu processo industrial exige. O que nos resta é conhecer quem terá a coragem de fazer o que é necessário ser feito e quem irá se acovardar diante do desafio. Todos nós reconhecemos que o problema é complexo e sabemos que não existe solução simples; nós estamos dispostos a somar para que a solução seja encontrada.

*Albérico Santos Queiroz Filho é diretor do Sindipetro Unificado

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