“O isolamento é mais difícil para aposentados, mas nós queremos todos vivos”

Representantes dos petroleiros aposentados apontam a necessidade de ficar em casa, relatam o esforço para manter o contato mesmo com as dificuldades e revelam a expectativa de retomar as atividades ao fim da pandemia

Regionais do Sindipetro Unificado estão fechadas há três meses devido à pandemia do coronavírus (Foto: Arquivo)

Por Guilherme Weimann

A experiência cotidiana traz sabedoria e maturidade para lidar mais facilmente com algumas situações que são recorrentes ao longo da vida. A singularidade da pandemia do novo coronavírus, entretanto, pegou de surpresa até mesmo os mais treinados na contraditória prática da existência.

Essa é a opinião do coordenador do Departamento de Aposentados (Daesp) na regional Campinas do Sindicato dos Petroleiros do Estado de São Paulo (Sindipetro Unificado – SP), Benedito Ferreira, mais conhecido como Ditinho. “Não me lembro de situações que se aproximassem desta. Este tal de isolamento social se assemelha a uma prisão domiciliar, a qual não estamos acostumados. Lidar com isso não tem sido fácil”, reconhece.

Ponto de vista semelhante é expressado pelo diretor aposentado do Sindipetro Unificado, Carlos Cotia. “O isolamento é difícil pra todo mundo, mas principalmente para aposentados e pensionistas que têm muito tempo livre. Pra gente ficar preso em casa é muito mais difícil. Mas é uma situação que necessariamente todos terão que aprender. A palavra de ordem é: ‘não saia de casa!’. É fácil ficar em casa? Não é. Mas nós queremos todos vivos e bem de saúde. Nós queremos vocês vivos”, declara.

Essa dificuldade apontada pelo petroleiro é ainda mais latente para os aposentados e pensionista que enxergam no Sindipetro Unificado um espaço de diálogo e confraternização com os amigos. Desde o dia 17 de março, todas as sedes fecharam as portas para evitar o contágio e propagação da Covid-19.

“Os aposentados estão com imensa dificuldade de organizar. Infelizmente, a impossibilidade de se reunir presencialmente dificulta o diálogo e encaminhamentos de qualquer demanda, até porque muitos deles têm pouca familiaridade com as tecnologias modernas de modo a permitir uma relação virtual satisfatória”, admite Ditinho.

Apesar dessas barreiras, Cotia aponta que o sindicato tem feito um esforço para manter a proximidade com seus associados. “O Sindipetro sempre foi um espaço de referência e convivência, onde as pessoas podem se encontrar e buscar informações. Isso continua acontecendo, mas de maneira virtual. A gente divulgou os telefones e os e-mails do sindicato e as pessoas podem, através desses endereços, buscar qualquer tipo de informação ou até mesmo bater um papo”, informa.

Luta que segue

Os aposentados sempre cumpriram um papel essencial dentro do Sindipetro Unificado. Eles são os principais responsáveis por repassar todo o conhecimento acumulado ao longo dos anos, inclusive na própria condução do sindicato. Mas se engana quem acredita que suas atuações se restringem ao campo dos conselhos para a nova geração.

“Uma vez petroleiro, sempre petroleiro” é a máxima que todos carregam consigo e, por isso, a saída física do dia a dia do trabalho, com a aposentadoria, nunca os impediram de continuar nas ruas para lutar por democracia e por uma Petrobrás pública e à serviço do povo brasileiro.

Apesar da singularidade deste momento histórico, Cotia enxerga que esse é o espírito que precisa ser resgatado após o término da pandemia. “Espero que a gente retome nosso papel de sindicato, que é o de organizar os trabalhadores. Com segurança vamos retomar esse papel. Eu acho que muitas coisas vão mudar, creio que esse fantasma da pandemia deva permanecer por um bom tempo nas pessoas. Mas é um processo que nós vamos ter que viver”, avalia.

Além dos abraços, suprimidos nos últimos meses, e do papo que precisa ser colocado em dia, Ditinho também demonstra expectativa com a volta do trabalho junto à categoria. “Quando tudo passar pretendo retomar as atividades na medida do possível. Certamente passaremos por período de muitas restrições e adaptações, mas é vida que segue. Vamos superar as dificuldades e dar a volta por cima, tudo vai passar”, opina.

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