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O dia em que o país disse NÃO à Reforma da Previdência

Por Norian Segatto

Desde as primeiras horas da madrugada da sexta-feira, 14, o Brasil vivia uma situação poucas vezes vista em sua história recente: trabalhadores das mais diversas categorias, em todos os cantos do país, cruzaram os braços contra a reforma da Previdência proposta pelo governo. Mesmo entre os que acabaram optando ou sendo pressionados a trabalhar, o sentimento majoritário é de que essa reforma é ruim para os trabalhadores e só beneficia o sistema financeiro e os grandes sonegadores da Previdência.

Um balanço preliminar da CUT e das frentes Brasil Popular e Povo sem Medo, que organizaram as mobilizações registram, em São Paulo, atividades em mais de 70 cidades. Em todo país estima-se que mais de 45 milhões de trabalhadores aderiram à greve.

Estacionamento da Recap

Petroleiros dão o recado

Os petroleiros e petroleiras de todo o sistema Petrobrás aderiram em grande número à paralisação de 24 horas. Nacionalmente, a greve atingiu 10 refinarias e diversas outras unidades em 12 estados, com grande adesão de trabalhadores próprios e terceirizados.

Na Replan e na Recap, o movimento se iniciou com o corte dos turnos da madrugada. Nas primeiras horas da manhã, os poucos trabalhadores que se dirigiam aos locais de trabalho eram recebidos por diretores do Unificado, que conversavam com os colegas sobre a importância de aderir ao movimento. Nas duas refinarias, a adesão foi de praticamente 100% do turno e 90% do administrativo. Trabalhadores terceirizados também participaram ativamente do movimento.

Ato em Recife (PE)

Na Replan, uma pequena minoria entrou para trabalhar, além dos pelegos de sempre que adoram uma contingência. “Foi um saldo muito positivo em todas as unidades da Petrobrás, sentimos que a categoria está consciente dos riscos que representa essa reforma da Previdência e do poderoso embate que teremos a seguir na campanha salarial”, avalia o coordenador do Unficado, Juliano Deptula.

No Edisp, nas UTEs, Osbra e demais unidades, a paralisação foi parcial, com a presença de diretores do sindicato conversando com os trabalhadores. Além da luta contra a reforma da Previdência, os protestos dos petroleiros centraram nos ataques do governo contra a Educação e na privatização da Petrobrás.

 

Ação policial

Manifestante atingido por bala de borracha

Em diversas cidades e locais de trabalho foram registradas ações policiais truculentas com, inclusive, forte aparato repressivo. Na Replan não houve deflagração de conflito, mas PMs abordaram os trabalhadores nos ônibus como forma de intimidação para entrarem na unidade e fizeram “escolta” para que automóveis entrassem.

Em outros Estados, como no Paraná, a polícia chegou a entrar em confronto com manifestantes. Em São Paulo, estudantes e funcionários da USP foram detidos, após repressão da PM à mobilização em frente da Universidade. A truculência policial também foi registrada em atos no Rio de Janeiro e outras capitais.

 

Recuo insuficiente

No final da tarde, as centrais e as frentes organizaram uma grande manifestação na Avenida Paulista. Apesar da dificuldade de se chegar ao local devido à greve parcial do transporte público, mais de 50 mil pessoas compareceram à avenida para protestar contra a reforma da Previdência, contra os cortes na educação e programas sociais.

Um dos pontos enfatizados pelos oradores foram as modificações apresentadas pelo relator da reforma da Previdência. “São questões pontuais, que melhoram a redação da texto, mas são um recuo insuficiente, não vamos aceitar nenhum corte de direitos, se querem combater os privilégios, como dizem, que cobrem dos sonegadores, muitos dos quais vivem aqui”, afirmou o presidente da CUT, Vagner Freitas, apontando para o prédio da Fiesp. O ex-candidato à Presidência Guilherme Boulos, complementou defendendo a taxação de grandes fortunas. A troca de mensagens de Moro com os procuradores da Lava Jato, publicadas pelo site The Intercept Brasil, também foram lembradas em faixas e falas.

Ao final do ato, manifestantes caminharam pela avenida Paulista em direção ao centro da cidade, mas no cruzamento com a rua da Consolação houve um começo de tumulto com a PM, quando algumas pessoas que não participavam da manifestação colocaram fogo em pneus e começaram a atacar bombas caseiras na manifestação. A polícia interviu, prendeu três suspeitos de um ataque a um ônibus. Segundo informações extra oficiais, os ataques partiram de grupos pró-fascistas.

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