Trabalhadores da categoria e sindicato lamentam o falecimento do companheiro Carrara

A direção do Sindipetro-SP lamenta profundamente à morte de Antônio Carrara, um dos pilares do processo de unificação do sindicato e ex-coordenador geral da FUP por dois mandatos

Com informações da FUP

Morreu neste domingo (13), aos 63 anos, o petroleiro Antônio Aparecido Carrara. O falecimento ocorreu após uma longa batalha travada contra o câncer. Carrara deixa esposa e cinco filhos: Mariana, Carol, Thiago, João e Antônio.

A direção do Sindicato Unificado dos Petroleiros do Estado de São Paulo (Sindipetro-SP) lamenta profundamente a perda deste guerreiro, que foi parte fundamental na construção da unidade da categoria e esteve presente em todas as lutas da classe trabalhadora nas últimas décadas.

“O companheiro Carrara é símbolo de uma geração que lutou pela redemocratização do país, com sua vida dedicada à categoria petroleira e por melhores condições de trabalho e direitos para todos os trabalhadores e trabalhadoras”, afirmou Juliano Deptula Lima, coordenador geral do Sindipetro-SP.

Carrara foi presidente do antigo Sindipetro Campinas, exerceu o cargo de coordenador geral da Federação Única dos Petroleiros (FUP) por dois mandatos, militou como membro da direção da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e da Confederação Nacional do Ramo Químico (CNQ).

O velório e o sepultamento ocorrerão nesta segunda (14), entre as 10h e 12h, no Memorial Garden, na cidade de Ourinhos (Estrada Fernando Antônio Paschoal, 1555), interior de São Paulo.

Toda a categoria petroleira, os funcionários do sindicato e demais entidades agradecem sua dedicação!

Companheiro Carrara, sempre presente!

História de luta

Antônio Carrara foi admitido na Petrobrás em 1979, como técnico de segurança da Refinaria de Paulínia (Replan), na região de Campinas, em São Paulo. Ingressou na luta sindical com a preocupação de defender melhores condições de trabalho, saúde e segurança para os petroleiros. Na FUP, participou de três mandatos: foi secretário de Comunicação entre 2000 e 2002 e coordenador-geral nas duas gestões seguintes (2002-2004 e 2004-2006). Na década de 90, atuou nas direções da CUT São Paulo e do Sindipetro Campinas, onde foi um dos principais articuladores do processo de unificação dos sindicatos do Estado de São Paulo, que resultou na fundação do Sindipetro-SP, em agosto de 2002.

Nos três mandatos sindicais que exerceu na FUP, Carrara participou de algumas das lutas mais difíceis da categoria petroleira sob o governo neoliberal de Fernando Henrique Cardoso. Uma delas foi a denúncia do processo de sucateamento das unidades da Petrobrás e da intensa terceirização que desencadearam graves acidentes, como dois vazamentos de petróleo em um intervalo de apenas seis meses no ano de 2000. O resultado dessa tragédia foi o despejo de 1,3 milhão de litros de óleo na Baía de Guanabara (RJ) e mais 4 milhões de litros de petróleo nos rios Barigui e Iguaçu, no Paraná. No ano seguinte, em março de 2001, o Brasil e o mundo assistiram perplexos ao afundamento da plataforma P-36, que causou a morte de 11 trabalhadores.

A passagem de Antônio Carrara pela FUP ocorreu durante um período de desmonte acelerado do Sistema Petrobrás, que lembra os tempos atuais, mas foi estancado com a eleição de Lula, em 2002. Os ataques daquela época deixaram marcas profundas no país, como os primeiros leilões de concessão de campos de petróleo, após a quebra do monopólio da Petrobrás; o golpe que o então presidente da empresa, Henri Philippe Reichstul, tentou emplacar às vésperas do Natal de 2000, ao mudar na surdina o nome da estatal para Petrobrax; a entrega de 31,7% das ações da Petrobrás na Bolsa de Nova Iorque; a venda de 30% da Refap, entre tantas outras batalhas enfrentadas no governo de FHC e que desencadearam na histórica campanha “Privatizar Faz Mal ao Brasil”.

Após assumir a coordenação da FUP, Carrara teve papel decisivo em uma das principais conquistas políticas da categoria petroleira, impulsionada pela nova correlação de forças que emergiu das urnas em 2002: a reintegração dos grevistas demitidos em 1994 e em 1995 e a anistia e o retorno ao Sistema Petrobrás de cerca de 1.200 trabalhadores da Interbrás, Petromisa, Petroflex e Nitriflex, subsidiárias extintas e privatizadas nos governos de Fernando Collor e Itamar Franco. Também foi durante a sua gestão que os petroleiros celebraram o primeiro Acordo Coletivo de Trabalho da Transpetro.

Carrara deixa ainda, como legado e inspiração para as novas gerações de petroleiros, dois projetos que ajudou a construir nos anos 2000, em parceria com a diretoria que assumiu a Petrobrás no primeiro governo Lula: o Memória dos Trabalhadores Petrobrás, que reconta a história da empresa através da narrativa dos trabalhadores e das lideranças sindicais; e o projeto MOVA Brasil, que alfabetizou mais de 200 mil jovens e adultos em 11 estados do país, entre 2003 e 2015.

Carrara combateu o bom combate, fazendo de sua existência, resistência.

Antônio Aparecido Carrara, presente. Hoje e sempre!

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