Maior refinaria da Petrobrás cria conceito de “água potável imprópria para consumo”

Refinaria de Paulínia distribuiu cartazes para alertar trabalhadores que a água está imprópria para consumo; análise mostra a falta de cloro na água

água replan
De acordo com portaria do Ministério da Saúde, água para consumo humano deve ter no mínimo 0,2 mg/L de cloro residual

 

Por Guilherme Weimann

A gerência da Refinaria de Paulínia (Replan) – a maior do Sistema Petrobrás – elaborou um novo conceito para avisar seus funcionários sobre inconsistências nos padrões de qualidade da água fornecida dentro da unidade. “Água potável imprópria para consumo” é a definição impressa em cartazes (feitos em folhas de papel sulfite A4) afixados há cerca de dois meses na refinaria.

Essa foi a medida tomada pela Replan em relação a um problema verificado há pelo menos quatro meses nas suas áreas operacionais. De acordo com trabalhadores ouvidos pela reportagem, a água da refinaria começou a apresentar turbidez e mal cheiro desde setembro do ano passado.

Diante dos relatos, integrantes da nova gestão da CIPA (Comissão Interna de Prevenção de Acidentes) cobraram uma análise técnica da água. Com isso, uma empresa contratada pela Petrobrás constatou, após coleta realizada no dia 14 de novembro, ausência de cloro, o que fere a atual legislação.

De acordo com a Portaria nº 888/2021, do Ministério da Saúde, a concentração de cloro residual mínima em qualquer ponto da rede de distribuição de água deve ser igual ou maior que 0,2 mg/L.

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Por isso, atualmente, a palavra potável não poderia ser empregada – como está sendo pela gestão – para a água fornecida dentro da unidade. De acordo com a mesma portaria do Ministério da Saúde, de 2021, água para consumo humano é “água potável destinada à ingestão, preparação de alimentos e à higiene pessoal, independentemente da sua origem”.

Atualmente, a água fora dos padrões abastece banheiros (torneiras para lavabo e chuveiros), cozinhas das Casas de Controle Locais (CCL), além de torneiras e chuveiros nos locais onde há manejo de máquinas, que servem para resfriar possíveis queimaduras em caso de acidentes, por exemplo.

O integrante da CIPA, Marcelo Garlipp, questiona as consequências desse descumprimento dos padrões de qualidade por parte da Replan. “O que pode acontecer com a saúde do trabalhador em utilizar essa água para escovar os dentes e tomar banho, por exemplo? E utilizar essa água para resfriar uma possível queimadura?”, indaga o petroleiro.

Apesar das cobranças, até o momento a Replan não apresentou um plano para solucionar o problema.

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