Lute como uma petroleira

A campineira Yaeko Aoki viveu a adolescência entre petroleiros e não teve dúvida em seguir a mesma carreira de seus irmãos. Dos nove irmãos, 4 trabalharam na Petrobrás. Em 1984, aos 23 anos, começou a trabalhar na Refinaria de Paulínia. Durante três décadas na Petrobrás, Yaeko vivenciou momentos de muita alegria e passou por grandes dificuldades. Em um meio majoritariamente masculino, ela foi vítima de sabotagem e perseguição e chegou a ser investigada pela Operação Lava Jato.

A caçula da família Aoki tinha acabado de dar à luz sua primeira filha quando entrou na Replan, no setor administrativo. Apesar de jovem, Yaeko sempre teve uma personalidade forte e, para ser ouvida no meio de tantos homens, passou a adotar uma postura mais impositiva. “Eu costumava dar murros na mesa para conseguir chamar atenção e, por muitas vezes, me comportava de um modo mais masculino para ter voz”, conta ela.

A petroleira enfrentou de perto o preconceito machista e garante que foi prejudicada na disputa por uma vaga na área operacional da refinaria. “Fui sabotada na prova física do concurso, pois o chefe do setor de seleção e treinamento dobrou os exercícios da minha avaliação para que eu não conseguisse finalizá-los”, revela.

No final da década de 90, Yaeko recebeu convite para ser dirigente sindical e aceitou o desafio. Um ano antes de entrar na Petrobrás, ela teve sua primeira experiência com a luta trabalhista. Ao lado dos irmãos petroleiros, a jovem participou da greve de 1983, um movimento histórico da categoria contra o regime militar. Nos sete dias da greve, o exército tomou conta das refinarias, os sindicatos de Campinas e da Bahia sofreram intervenção militar e suas diretorias foram cassadas.

Mas, segundo Yaeko, a greve que mais marcou sua trajetória petroleira e sindicalista foi a de 2001. “Eu era a única mulher entre centenas de homens atuando no movimento de ocupação da Replan, que durou cinco dias. Quando saí de lá, a minha calça estava até caindo do corpo de tanto que emagreci”, recorda-se.

 Roubo e lava jato

Em 2004, a petroleira foi transferida para a Reduc, em Duque de Caxias (RJ), onde viveu momentos de tensão. Yaeko denunciou um esquema de roubo de materiais na refinaria e sofreu uma série de intimidações. “Os trabalhadores sabiam que eu colocava a boca no trombone e faziam questão que eu soubesse das irregularidades. Depois que eu fiz a denúncia, comecei a ser perseguida e acabei transferida para a sede da Petrobrás por conta das ameaças sofridas”, relembra.

Dez anos depois, ela foi convidada a fazer parte da gerência de projetos da UFN-3 (Usina de Fertilizantes Nitrogenados), de Três Lagoas (MS), onde permaneceu até se aposentar, em 2016. A obra foi interrompida em consequência da Operação Lava Jato e Yaeko tornou-se alvo da investigação.

“Nessa época, eu fui investigada por ser a gerente da obra e isso foi tão estressante que até desenvolvi psoríase. Como trabalhadora da Petrobrás e sindicalista, era muito fácil qualquer um ter acesso à minha história e saber que não havia possibilidade de eu estar envolvida em qualquer esquema de corrupção”, declara.

Foi um período muito difícil e conflitante para Yaeko. “Parecia que eu tinha passado para o outro lado. Vivi o oposto da minha luta sindical. Foi o pior período da minha vida”, conclui ela, aliviada de que esses tempos sombrios tenham ficado para trás.

Por Alessandra Campos e Andreza de Oliveira

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