Lula envia carta saudando os 40 anos da greve dos petroleiros de 1983

Presidente parabenizou a categoria, saudou companheiros e reforçou compromisso com a estatal e os trabalhadores

Lula com o time dos petroleiros de Campinas, na década de 1980 (Foto: Arquivo Sindipetro Unificado)
Lula com o time dos petroleiros de Campinas, na década de 1980 (Foto: Arquivo Sindipetro Unificado)

Em uma emocionante carta enviada ao Sindipetro Unificado e aos petroleiros que participaram da greve histórica de 1983, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva expressou sua gratidão e reconhecimento pela coragem e luta da classe trabalhadora organizada.

No documento, enviado da Colômbia, local onde participava de uma reunião com governos que compartilham a responsabilidade pela preservação da floresta amazônica, Lula ressaltou a importância dos petroleiros como um dos maiores tesouros do povo brasileiro e enviou suas saudações ao companheiro Antônio Jesus Alencar Ferreira, liderança histórica que contribuiu para a construção do Sindipetro, do Partido dos Trabalhadores (PT) e da Central Única dos Trabalhadores (CUT).

O presidente destacou o quanto uma jornada pode ser dura para os petroleiros, mencionando tanto os desafios enfrentados em 1983 como os dos últimos anos. “Em 1983, na luta contra o arrocho salarial, vocês enfrentaram de peito aberto a ameaça de desemprego e a perseguição política. Nos últimos seis anos, tiveram que resistir com todas as forças ao desmonte entreguista e lesa-pátria do Sistema Energético Brasileiro. Desmonte movido pelas mesmas forças que, desde a criação da Petrobrás, cobiçam o imenso patrimônio petrolífero do Brasil”, escreveu Lula.

Lula recordou uma frase do saudoso Jacó Bittar, fundador do Sindipetro-SP, do PT e da CUT, em sua última visita ao sindicato no ano passado: “O importante é fazer história”. O presidente destacou ainda que em 1983 os petroleiros e petroleiras fizeram história ao resistir aos últimos estertores da ditadura militar, que ainda reprimia a atividade sindical com prisões, perseguição, tortura e até mortes. 

Confira a carta na íntegra:

CARTA AO SINDICATO UNIFICADO DOS PETROLEIROS  DO ESTADO DE SÃO PAULO, PELOS 40 ANOS DA GREVE DE 1983

Saudações às companheiras e companheiros aqui presentes,

Neste momento, me encontro em Letícia, na Colômbia, participando de reunião com os governos que dividem conosco um dos maiores tesouros da humanidade: a floresta amazônica. Mas fiz questão de enviar esta mensagem a vocês, que representam e defendem um dos maiores tesouros do povo brasileiro: a classe trabalhadora organizada.

Envio minhas saudações ao companheiro Antônio Jesus Alencar Ferreira, liderança histórica que ajudou a construir o Sindipetro, o PT e a CUT, e também a Juliano Deptula Lima, atual Coordenador Geral da diretoria colegiada do Sindipetro Unificado de São Paulo, que reúne as regionais de Campinas, Mauá e São Paulo.

Quero recordar uma frase do saudoso Jacó Bittar, fundador do Sindipetro-SP, do PT e da CUT, na sua última visita ao Sindipetro, em agosto do ano passado: “O importante é fazer história”. 

Em 1983, os petroleiros e as petroleiras fizeram história. O movimento grevista daquele ano foi um dos momentos inesquecíveis em que a classe trabalhadora fez história com a resistência aos últimos estertores da ditadura, que ainda reprimia a atividade sindical com prisões, perseguição, tortura e até mortes.

Já naquela época — assim como agora — recaía sobre trabalhadores e trabalhadoras da Petrobrás a responsabilidade de atuar e defender a maior, mais estratégica e mais cobiçada empresa estatal brasileira. E vocês nunca fugiram à luta.

O governo militar — chefiado por um general de triste figura que dizia preferir o cheiro dos cavalos ao cheiro de gente — interveio nos sindicatos e demitiu trabalhadores das

refinarias Landulpho Alves, na Bahia, e Replan, em Paulínia. Não satisfeita, a ditadura reprimiu movimentos de solidariedade dos trabalhadores de outros estados.

Mas a retaliação foi um tiro pela culatra. Em vez de dividir os trabalhadores, espalhou as sementes de um novo sindicalismo que brotou naqueles tempos.

Um mês depois da greve, nasceu a Central Única dos Trabalhadores, durante o 1º Congresso Nacional da Classe Trabalhadora. E a História do Brasil começou a ser reescrita

pelos trabalhadores e trabalhadoras do país. Nessas últimas quatro décadas de tantas conquistas e algumas derrotas, vimos surgir novas e combativas lideranças sindicais. Lideranças que seguiram os passos de seus antecessores, e já podem se orgulhar da enorme contribuição à construção da democracia e à defesa da soberania nacional.

Vocês, petroleiros e petroleiras, sabem muito bem o quanto uma jornada pode ser dura.

Em 1983, na luta contra o arrocho salarial, vocês enfrentaram de peito aberto a ameaça de desemprego e a perseguição política. Nos últimos seis anos, tiveram que resistir com todas as forças ao desmonte entreguista e lesa-pátria do Sistema Energético Brasileiro. Desmonte movido pelas mesmas forças que, desde a criação da Petrobras, cobiçam o imenso patrimônio petrolífero do Brasil.

Felizmente — e graças à ativa militância dos sindicatos, dos partidos e dos movimentos sociais nas eleições de 2022 — o Brasil volta a respirar os ares democráticos e a vislumbrar um futuro próspero, soberano e igualitário.

Um dos principais legados do movimento sindical é a conquista de uma nova consciência política pela maioria da nossa sociedade. Uma sociedade que aprendeu a confiar

nela mesma, ao reconhecer nas bandeiras históricas dos trabalhadores um caminho mais justo e generoso para o desenvolvimento sustentável do Brasil.

O Sindicato Unificado dos Petroleiros do Estado de São Paulo está de parabéns. Não só pelo aniversário de sua greve histórica, mas por ter, durante estes 40 anos, travado o bom combate em defesa da autodeterminação do povo e da soberania do Brasil.

Muito obrigado.

Luiz Inácio Lula da Silva

Presidente do Brasil

 

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