Leilão: aberta a temporada de entrega total

Manifestação contra a exploração na área de Abrolhos. Petição conseguiu mais de 1 milhão de assinaturas
No dia 6 de novembro o governo programa megaleilão do excedente da cessão onerosa; 14 empresas se habilitaram para essa que será a maior entrega de patrimônio público da história do país. No dia 10 governo ofereceu “um aperitivo” leiloando áreas de preservação ambiental

Por Norian Segatto

O governo realizou no dia 10 leilão de 36 blocos de exploração e óleo e gás, arrecadando R$ 8,915 bilhões. Esse foi um aperitivo para o megaleilão marcado para novembro.

Os blocos licitados – nas bacias sedimentares marítimas de Pernambuco-Paraíba, Jacuípe, Camamu-Almada, Campos e Santos – estão localizados próximos a áreas ambientais que podem ser muito impactadas pela exploração de petróleo, como o arquipélago de Abrolhos, na Bahia, manguezais, recifes, corais e pesqueiros. Para evitar mais esse risco à natureza, diversas entidades, entre elas a FUP, entraram com uma Ação Civil Pública para barrar o leilão. Três petições, contendo cerca de 1,1 milhão de assinaturas, foram entregues no dia 9 ao Congresso Nacional e ao Ministério Público Federal para barrar o leilão na área do Parque Nacional Marinho de Abrolhos.

Abrolhos: paraíso ameaçado

Mesmo com a mobilização popular e recomendação expressa do Ibama contra a exploração em Abrolhos (que concentra a maior biodiversidade e o maior banco de corais da parte sul do Oceano Atlântico e é o principal berçário das baleias jabuarte), o governo colocou o bloco em leilão, mas não obteve nenhuma proposta. E o que a ANP (Agência Nacional de Petróleo) fez? Abriu de vez a lojinha e informou que as áreas não arrematadas, como Abrolhos, permanecerão em oferta permanente. Dos 36 blocos, 12 foram arrematados.

 

Petrobrás mirrada

Nas mãos dos entreguistas, a Petrobrás cumpre o melancólico papel de coadjuvante em sua própria terra, assistindo o pré-sal ser entregue à exploração estrangeira. Segundo estudo do Dieese, 13 multinacionais já se apropriaram de 75% das reservas do pré-sal. Juntas, detêm o equivalente a 38,8 bilhões de barris de petróleo, de um total de 51,83 bilhões de barris do pré-sal licitados no Regime de Partilha.

No leilão do dia 10, a companhia apresentou propostas para apenas dois blocos e arrematou um, C-M-477 (Bacia de Campos), em parceria com a BP

As petroleiras QPI, do Catar, Petronas, da Malásia, e Total, da França, fizeram a maior oferta no leilão, arrematando o bloco C-M-541 (Bacia de Campos) com bônus de 4,029 bilhões de reais, segundo informações da ANP.

Posts relacionados

Os riscos da privatização da PPSA

Andreza de Oliveira

Petrobrás coage trabalhadores a instalarem aplicativo norte-americano nos celulares

Guilherme Weimann

Sem planejamento, royalties do pré-sal podem levar contas públicas ao buraco

Guilherme Weimann

Este site usa cookies para melhorar sua experiência. Clique aceitar se você está de acordo ou pode cancelar, se desejar. Aceito Ler Mais

Política de Privacidade