“É inadmissível uma Petrobras com R$ 94 bilhões de lucro dizer não aos trabalhadores”, afirma Deyvid Bacelar, coordenador da FUP, ao defender a continuidade da greve nacional

No quarto dia da greve nacional dos petroleiros, trabalhadores da Refinaria de Paulínia (Replan) realizaram nesta quinta-feira (18) um novo ato em defesa das reivindicações da categoria. A mobilização contou com a presença do coordenador-geral da Federação Única dos Petroleiros (FUP), Deyvid Bacelar, e de apoiadores políticos da região.
Segundo Bacelar, a paralisação mantém a mesma intensidade observada em outras unidades do país. Ele afirmou que a greve foi motivada pela postura da gestão da Petrobrás nas negociações com os sindicatos. “Petroleiros e petroleiras estão aderindo a essa greve devido à arbitrariedade da gestão da Petrobrás, que apresentou uma proposta como sendo a última. Nós não aceitaremos que seja a última”, declarou.
O dirigente destacou que a categoria considera contraditório o desempenho financeiro da empresa e a oferta apresentada aos trabalhadores. De acordo com Bacelar, a Petrobrás registrou lucro líquido de R$ 94 bilhões até o terceiro trimestre deste ano, mas não avançou nas demandas centrais da campanha salarial. “É inadmissível que uma empresa com esse resultado diga não às reivindicações dos seus trabalhadores e trabalhadoras”, afirmou.
Entre os pontos citados estão a situação do plano de previdência Petros, marcado por sucessivos equacionamentos, a recomposição de direitos retirados em governos anteriores e a política salarial. “Meio por cento de ganho real não é aceitável para quem gerou essa riqueza”, disse o coordenador da FUP, ao defender também que a estatal tenha papel estratégico no desenvolvimento do país.
Bacelar ainda criticou demissões de trabalhadores terceirizados, desimplantações em áreas operacionais e a redução de investimentos no Brasil. Segundo ele, somente até o terceiro trimestre a Petrobras distribuiu R$ 37,3 bilhões em dividendos aos acionistas. “Por tudo isso, a greve continua forte e em busca de uma solução para os três eixos da nossa campanha”, concluiu.
O ato na Replan também teve a participação da vereadora de Campinas Guida Calixto (PT), que manifestou apoio ao movimento grevista. Ela se soma a outros parlamentares da cidade que estiveram presentes na Refinaria de Paulínia em outros dias, como os vereadores do Partido dos Trabalhadores (PT), Wagner Romão e Paolla Miguel; as vereadoras do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), Fernanda Souto e Mariana Conti; além dos integrantes do PCdoB, Carlo Antioli, e da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Carlos Fábio, conhecido como Índio da CUT.
Entre os aposentados presentes, destacou-se Márcio Gonzaga Cardoso, o Marcinho, que carrega nas costas 37 anos de Refinaria de Paulínia (Replan) e a memória viva da histórica greve dos petroleiros de 1995, quando integrava a diretoria do sindicato.
Aposentado desde 2019, Marcinho trouxe ao ato uma lição que atravessa décadas de luta sindical: a importância da independência do movimento em relação ao governo. Para ele, a força do movimento sindical está justamente em não se curvar às pressões políticas, mesmo quando há afinidade com quem ocupa o Palácio do Planalto.
No mesmo dia, a paralisação foi ampliada com a adesão de trabalhadores dos terminais da Transpetro de Osório (RS), São Caetano do Sul e Barueri, em São Paulo, da Unidade de Tratamento de Gás de Cacimbas (UTGC), no Espírito Santo; da Estação de Compressão de Gás Natural de Araucária (TBG), no Paraná; da Estação de Gás Vandemir Ferreira e da Estação de Transferência Parque São Sebastião, na Bahia; além De acordo com a FUP, o movimento grevista envolve trabalhadores de 28 plataformas, 16 unidades da Transpetro, nove refinarias, quatro termelétricas, duas usinas de biodiesel, duas unidades de tratamento de gás, duas estações de compressão da TBG, além da sede da Petrobras em Natal e ativos de produção terrestre na Bahia.




