“Focamos na resistência, agora queremos diálogo”, diz petroleira

Coletivo de Mulheres Petroleiras resistiu durante mandato de Jair Bolsonaro e agora pretende trazer mais mulheres para a luta

Mulheres
Atualmente, as mulheres representam 17% do quadro de funcionários da Petrobrás

Representando 17% do quadro de funcionários da Petrobrás em 2022, mulheres petroleiras esbravejam coragem e determinação para tornar cada vez menos desigual a participação feminina dentro da maior petrolífera brasileira – e fora dela também.

O Coletivo de Mulheres Petroleiras da Federação Única dos Petroleiros (FUP) surgiu justamente neste contexto de busca por uma Petrobrás mais igualitária. Com mais de dez anos de história, o grupo conseguiu alavancar o debate por mais equidade dentro da empresa.

Nos últimos quatro anos, durante o governo de Jair Bolsonaro (PL), a principal pauta do coletivo foi resistir. Além da queda no número geral de funcionários, resultado dos planos de demissões voluntárias e privatizações, nenhum programa de equidade de gênero foi implementado, ou continuado, pela empresa.

Leia também: “Não lembro quando foi a última vez que uma mulher recebeu aumento”, afirma petroleira

Para Miriam Cabreira, petroleira e presidenta no Sindipetro RS, com a eleição de Lula (PT), as discussões para alavancar a participação feminina na Petrobrás serão retomadas. “Focamos na pauta da resistência, agora queremos recuperar espaço de diálogo no sistema Petrobrás, como acontecia quando tinha a comissão de equidade e diversidade”.

Neste ano, o coletivo também pretende angariar mais mulheres no movimento sindical, com participação ativa nas atividades e na direção da FUP.

Hoje, 74 mulheres de todo o Brasil participam do coletivo. “Interagimos e trocamos experiências além de algumas decisões, principalmente focando em participação de mulheres nos vários espaços de debate que existe nos Sindicatos e na FUP”, explica Patrícia Jesus Silva, petroleira do Sindipetro-ES.

O coletivo está confiante no avanço das pautas femininas propostas para o Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) deste ano. “Aumentar o número de mulheres, pretas e LGBTQIA+ em cargos de gestão e cotas nos novos concursos, são algumas das pautas, além da retomada da comissão de equidade de gênero”, diz Patrícia.

Ainda, há um trabalho do coletivo pautado no combate e punição à violência contra as mulheres e crianças, à fome, e pela geração de empregos e política públicas que proporcionem as mulheres ocuparem cada vez mais espaços.

Histórico da participação feminina na Petrobrás

Apesar da luta, a atuação feminina permanece estagnada dentro da Petrobrás. Em 2008, mulheres já representavam 17% do quadro funcional da empresa, um avanço para a época. Entretanto, o número nunca mais ultrapassou essa porcentagem.

Entre altos e baixos, a empresa chegou a implementar comissões e programas para garantir o mínimo de equidade entre homens e mulheres na companhia, como o projeto Siga Bem Mulher e a Comissão da Diversidade, ambos em 2007.

Nos últimos anos, parte dos programas e iniciativas pela inclusão feminina foram suspensos. A expectativa é que sejam retomados na nova gestão governamental.

“É fundamental a inclusão das mulheres nos espaços de tomadas de decisões da empresa, incentivando a representatividade e reconhecendo a importância da promoção de equidade gênero”, diz Patrícia Jesus Silva.

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