Fafen-MS: A reabertura da esperança

Retorno da Fafen-MS retoma esperança e deve derrubar ainda mais preço de fertilizantes

UFN3
O retorno das obras deve movimentar novamente a economia na região, que aguarda pelo desfecho da maior fábrica de fertilizantes nitrogenados da América Latina. (Reprodução: Petrobrás)

Por Albérico Santos Queiroz Filho*

A cidade de Três Lagoas, no Mato Grosso do Sul, tem bons motivos para comemorar. O ressurgimento da Fafen-MS (Fábrica de Fertilizantes Nitrogenado do Mato Grosso do Sul) reabre o sentimento de esperança e sinaliza a correção dessa injustiça histórica promovida contra a cidade, que teve seus trabalhadores e comerciantes expostos à inadimplência do Consórcio UFN3. O retorno das obras deve movimentar novamente a economia na região, que aguarda ansiosa pelo desfecho da maior fábrica de fertilizantes nitrogenados da América Latina.

A obra estava paralisada desde 2015, em decorrência da destruição promovida pela operação Lava Jato, que criminalizou as empresas e penalizou os trabalhadores com a perda dos empregos. Oito anos depois, felizmente a Petrobrás sinaliza sua volta ao mercado de fertilizantes.

O retorno da obra foi anunciado já na primeira reunião do Conselho Nacional de Fertilizantes e Nutrição de Plantas (Confert), que aconteceu em Brasília no dia 14 de junho. A Fafen-MS é projetada não só para ser a maior fábrica de fertilizantes da América Latina, mas também a de melhor eficiência energética. Isto significa uma otimização, a fim de aumentar a produção e reduzir o uso de recursos energéticos.

Sozinha, a Fafen-MS será responsável por produzir 18% da ureia que foi importada em 2022 e 15% do consumo total no mesmo ano. Já para a amônia, responderia sozinha por 12% da importação e 11% do consumo interno verificado no mesmo período.

Considerando o retorno da Fafen-PR, fica claro que o custo dos fertilizantes irá cair ainda mais, tanto pela redução da demanda de importação quanto pela melhora da distribuição logística. Como as duas fábricas estão localizadas próximas a grandes centros consumidores, o valor gasto com transporte será menor, fazendo com que o preço para o consumidor final se torne cada vez mais acessível.

É fundamental pautar o debate sobre o destino desses fertilizantes, pois o grande produtor rural possui dinheiro e estrutura suficiente para absorver a variação do mercado, diferente do pequeno produtor; cuja produtividade tende a cair pela alta dos preços.

É necessário incluir no debate as demandas reais da população, que clama por alimentos acessíveis. É só agindo na cadeia de produção de alimentos como um todo que poderemos entregar justiça social na mesa do trabalhador e da trabalhadora. Os efeitos do aumento da produção nacional de fertilizantes devem ser sentidos pelo consumidor quando ele for fazer as compras na Horta São Pedro ou na Horta da Lagoa (que ficam na cidade de Três Lagoas-MS). Caso contrário, todo o esforço nacional de produção de fertilizantes será revertido para a produção de commodities, setor que possui capital para absorver toda a produção nacional.

Enquanto isso, o pequeno produtor fica à margem, dependente do que sobrar. Não tem a capilaridade política nem a facilidade de fazer lobby pelos seus interesses que outros setores possuem. O pequeno produtor depende diretamente de políticas públicas para proteger a produção de alimentos de verdade e garantir condições justas de acesso aos fertilizantes. Garantir essas políticas será um dos nossos maiores desafios.

*Albérico Santos Queiroz Filho é diretor do Sindipetro Unificado de GO MS e SP.

 

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