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Estudo aponta que privatização vai aumentar o preço do diesel

Fonte: CUT

Enquanto o governo de Jair Bolsonaro (PSL) diz, sem apresentar estudos técnicos, que a privatização de oito refinarias da Petrobras vai contribuir para a redução do preço do diesel para o consumidor final, especialista garante, com base em análises aprofundadas, que a venda de importantes unidades de produção e refino da estatal, vai elevar o custo de produção do diesel em 73,1%, com grande impacto no preço cobrado nos postos de combustível.

É o que conclui estudo do ex-engenheiro da Petrobras e atual consultor legislativo, Paulo Cesar Ribeiro Lima, que aponta altas consideráveis nos custos de produção de óleo diesel e da matéria-prima de refino, que é o petróleo bruto, se as refinarias da estatal brasileira forem privatizadas.

Clique para ler a íntegra do estudo. Possíveis impactos da privatização de refinarias sobre o preço do diesel

O estudo mostra que o custo de produção de óleo diesel nas refinarias da Petrobras é de R$ 1,042 por litro para um barril do petróleo de US$ 65. Se as refinarias forem privatizadas, o custo de produção do diesel poderá aumentar para cerca de R$ 1,805 por litro.

Dois fatores contribuem para essa alta. Um deles é o aumento no custo da matéria-prima de refino, que é o petróleo bruto. O consultor explica que o custo de produção de petróleo da Petrobras é cerca de US$ 40 por barril para um valor de mercado de US$ 65 por barril. Se as refinarias forem privatizadas, os compradores terão de arcar com o custo do petróleo a US$ 65, de acordo com a paridade do mercado internacional, o que fará com que o custo da matéria prima seja 35,4% maior.

O segundo fator é o custo de manutenção e operação das oito refinarias da Petrobras na mira da privatização. Segundo o especialista, juntas, essas oito refinarias produzem, por ano, 361 milhões de barris de derivados a um custo de operação e manutenção de US$ 903 milhões. Se forem refinarias privatizadas, apenas para recuperar o capital investido – estimado em R$ 20 milhões – teria de ser acrescido a esse custo o valor anual de US$ 1,65 bilhão. Com isso, diz Paulo Cesar, o custo de refino anual passaria a ser de US$ 2,553 bilhões, o que representa um aumento de 183% no custo.

Para o especialista, em países como o Brasil, que é autossuficiente em produção de petróleo e pode ser em produção de óleo diesel, não é justo que a população fique sujeita a uma política de paridade de importação, sobretudo devido a alta volatilidade da taxa de câmbio. Com a privatização, essa dependência às oscilações do preço no mercado tende a aumentar ainda mais.

“Se as refinarias forem privatizadas, as decisões sobre preços não serão de uma empresa estatal, mas de particulares. Nessa situação, seria difícil uma intervenção em caso de aumento de preços ao consumidor, ficando a população sujeita aos valores estipulados pelas empresas petrolíferas multinacionais” afirma Paulo Cesar.

E é justamente essa a intenção do governo de Bolsonaro. O atual presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, em janeiro deste ano, chegou a declarar que o governo vai “deixar de ser o endereço onde as pessoas batem na porta para reclamar de preço da gasolina, diesel”.

Com isso, a população, como é o caso dos caminhoneiros que entraram em greve devido ao preço elevado do diesel, não terão como negociar com o governo nem discutir com ninguém sobre a política de preços dos combustíveis. “Esse tipo de situação não interessa ao consumidor brasileiro, talvez interesse apenas às empresas privadas”, diz Paulo Cesar.

“A privatização das oito refinarias pode levar a monopólios privados que produzirão óleo diesel a custos muito mais altos que os da Petrobras. Nessa situação é difícil imaginar um cenário de baixos preços dos derivados de petróleo no País com essas privatizações”, conclui o especialista.

O petroleiro Roni Barbosa, que também é secretário de Comunicação da CUT, alerta ainda para o impacto do aumento no valor do diesel para o agronegócio brasileiro tanto no que diz respeito ao mercado interno quanto às exportações.

“O Brasil não tem ferrovias e hidrovias que possam suprir a demanda, o que faz com o país seja ainda muito dependente dos caminhões para transportar mercadorias. Se o valor do diesel subir ainda mais, o impacto na cadeia produtiva será inevitável”.

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