Espírito natalino, a gente não vê na Replan

Pela primeira vez em muitos anos, gestão da maior refinaria do país nega ceia aos trabalhadores que passaram a noite de Natal na operação da unidade

A gestão da refinaria ‘premiou’ os trabalhadores pelo risco de contaminação que conviveram durante a pandemia (Foto: Adobe Stock)

Bronca do Peão*

No auge da pandemia,  quando muitos empregados do HA (horário administrativo) foram para o teletrabalho para se proteger do coronavírus, o pessoal do turno ininterrupto de trabalho se expôs para garantir o abastecimento do mercado nacional de combustíveis.

A operação do turno, do chão de fábrica, foi a última a retirar as máscaras porque era de conhecimento de todos que o afastamento em massa dessa categoria poderia impactar diretamente a produção.

E apesar da grande colaboração que essa parcela da equipe deu à companhia durante todo o ano, dia e noite, finais de semana e feriados, a resposta da gestão da Refinaria de Paulínia (Replan) foi, mais uma vez, um verdadeiro escárnio. Isso porque, em um explícito ato de desvalorização, os trabalhadores que trabalharam durante o Natal, longe de suas famílias, não tiveram direito a uma ceia – como de praxe nas últimas décadas.

O pessoal que trabalha em regime de turno não teria direito ou talvez não mereça a ceia especial mesmo deixando seus amigos e familiares em casa em plena noite de Natal para cumprir o compromisso profissional – e social – com o país?

Já passou da hora da liderança entender que as nossas atividades são ininterruptas e que a refinaria é bem maior do que o prédio da gerência. Assim como já passou da hora de habilitar todos os relógios de cartão de ponto para a operação do turno, como fazem para os demais empregados, e de indicar representantes do turno para compor a CIPA – o que permitiria que pudéssemos  dar nossa colaboração nos assuntos de ergonomia e segurança, para que as particularidades e riscos das atividades noturnas não sejam ignorados.

Mas a mensagem motivacional não faltou e essa veio para todo mundo com o discurso hipócrita e demagogo, como se por aqui tudo fosse perfeito e as pessoas muito felizes. Belo “espírito natalino”. Ou muda-se o discurso ou a atitude dos senhores gerentes, porque manter os dois não está mais colando.

*Texto enviado por petroleiro da base que preferiu não se identificar.

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