Entenda o ataque hacker a oleoduto que fez os EUA decretarem emergência

Além de comprometer o abastecimento em 17 estados do país, o ataque provocou mudanças nos preços do petróleo. Os hackers responsáveis foram identificados e afirmaram que a intenção do grupo não era provocar prejuízo à sociedade

Grupo hacker responsável pelo ataque afirmou que doará a quantia recebida com o “sequestro” do oleoduto Foto: AdobeStock

Por Petróleo dos Brasileiros

Na sexta-feira (7), um ataque cibernético à maior rede de oleoduto dos Estados Unidos, comandada pela empresa Colonial Pipeline, comprometeu o abastecimento de toda a Costa Leste, provocou aumentos no preços do petróleo e fez o país decretar estado de emergencia.

O ataque ocorreu em um momento que os EUA se recupera dos efeitos econômicos da pandemia de covid-19 e num período em que as reservas de combustível do país estão em baixa e com maior demanda – pois com o avanço da vacinação, houve uma queda nas medidas de isolamento e, por lá, a população já está voltando a se locomover.

Com o ataque, a Colonial Pipeline precisou desligar o sistema do oleoduto, o que bloqueou cerca de 8.850 quilômetros de extensão de dutos. Estimativas apontam ainda que a ação dos hackers roubou mais de 100 GB de informações da empresa e comprometeu o abastecimento de diesel, gasolina e querosene de aviação em cerca de 45% da Costa Leste do país.

Analistas afirmaram que o ataque hacker, além de provocar aumentos de 2% a 3% no preço do petróleo, pode trazer prejuízos maiores se a recuperação e normalização do abastecimento de combustíveis do país for mais lenta.

Quem são e como agiram os hackers?

Utilizando um software semelhante a um ‘sequestrador virtual’, o Grupo DarkSide, responsáveis pelo ataque, utilizaram do sistema ransomware – que causa bloqueio dos sistemas liberando-os para as atividades normais somente após o pagamento da quantia que for exigida pelos hackers. Segundo a agência Bloomberg, os pedidos de resgate variaram de US$ 200 mil a US$ 20 milhões.

Arrependidos pelo prejuízo causado à população, o grupo prometeu “pegar mais leve” da próxima vez. “Nosso objetivo é ganhar dinheiro e não criar problemas para a sociedade. A partir de hoje, introduzimos a moderação e verificamos cada empresa que nossos parceiros desejam criptografar para evitar consequências sociais no futuro”, afirmaram em nota divulgada pela Bloomberg.

O grupo DarkSide, que já invadiu sistemas de empresas norte-americanas e europeias, disse ainda que doará para instituições de caridade o dinheiro obtido com o ataque. “Não importa o quão ruim você pense que nosso trabalho é, temos o prazer em saber que ajudamos a mudar a vida de alguém”, comunicaram.

O oleoduto já voltou a operar, entretanto, os postos de gasolina do sudeste dos EUA ainda devem demorar alguns dias para normalizarem o abastecimento de combustíveis. Alguns estados ainda registram grandes interrupções no fornecimento dos derivados.

Petróleo fechou em queda nos EUA

Por conta do ataque, nesta quinta-feira (13) futuros contratos de petróleo chegaram a registrar quedas de mais de 3% após o conhecimento de que um duto que leva o combustível para a Costa Leste dos Estados Unidos retornou às operações.

De acordo com a Bloomberg, a Colonial Pipeline pagou US$ 5 milhões em criptomoedas não rastreáveis aos hackers para que pudessem retomarem as operações do duto. A empresa também afirmou que, apesar do anuncio de retomada das operações, ainda pode levar dias para que o sistema se estabilize.

Presidente eleito dos Estados Unidos, Joe Biden informou que a melhora no fornecimento dos combustíveis já deve ser perceptível a partir de sábado (15) e que a recuperação deve demorar algumas semanas até que se normalize novamente.

Para junho, o preço do petróleo WTI fechou em baixa de 3,42% (-US$ 2,26), custando US$ 63,82 o barril na Nymex (New York Mercantile Exchange). Com perspectivas para o mês de julho, o tipo Brent recuou 3,27% (-US$ 2,27), saindo por US$ 67,05 o barril pela ICE (Intercontinental Exchange).

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