Em Três Lagoas (MS), burocracia de Petrobrás faz com que até água falte no banheiro

Rompimento de tubulação há cinco meses ainda não foi resolvido

 

Foto: Agência Petrobrás

Maior do Brasil e 50ª do mundo entre as companhias de capital aberto, segundo o índice Forbes Global 2000, divulgado em 2019, a Petrobrás têm encontrado grandes dificuldade em resolver problemas simples quando eles afetam quem gera o lucro da companhia.

Na Termelétrica Luís Carlos Prestes, em Três Lagoas (MS), a falta de água nos banheiros da portaria é um exemplo de como os trabalhadores são tratados, em um caso que se arrasta desde março.

O problema virou tema de reunião da CIPA (comissão interna de prevenção de acidentes) e foi necessária a intervenção dos petroleiros para providenciar uma ‘gambiarra’ capaz de fornecer condições mínimas no local.

Um rompimento na tubulação que liga a caixa de água ao banheiro há cinco meses fez com que o fornecimento fosse interrompido. Porém, sem pessoal especializado ou contrato de manutenção para fazer o serviço, a direção da empresa se comprometeu a abrir um processo licitatório.

Mas até agora não há solução para o caso, conforme explica um técnico de operação que prefere não ser identificado. “Eles interditaram a circulação da água, foram cavar para consertar e descobriram que próximo passava também um cano de fiação, que teriam de aprofundar por mais dois metros, algo mais especializado do que imaginavam. Nesse período, estão puxando mangueira da caixa de água, como sugerimos, para tentar remediar a situação. E os trabalhadores são obrigados a encher com baldes as caixas acopladas dos vasos sanitários”, diz.

Ele alerta ainda para o risco que a demora da Petrobrás em resolver a questão traz neste momento de pandemia. “Na portaria estão sem água para lavar a mão, algo fundamental para a higiene de quem trabalha na termelétrica. Estão esquecendo a vida dos trabalhadores”, critica.

Outro trabalhador ouvido pelo Sindicato Unificado dos Petroleiros de São Paulo e que também pediu para não se identificar, afirmou que mesmo em uma situação crítica como essa, a relação com a gerência da empresa é muito difícil.

“Precisamos puxar o tema numa reunião da CIPA que ia falar sobre Covid para tratar disso, porque eles não nos posicionavam sobre esse conserto. Disseram que um engenheiro civil viria para determinar a execução da obra, mas, até agora, não saiu nada”, diz.

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