Em Campinas, centenas de petroleiros reafirmam compromisso com a greve

No 17º dia de paralisação, cerca de 300 trabalhadores da Replan mostram otimismo em assembleia na sede do Sindipetro-SP

Assembleia definiu agenda de atividades da semana e definiu participação em ato nacional no Rio de Janeiro (Foto: Steve Austin)

Por Guilherme Weimann

Esta greve nacional dos petroleiros, que se iniciou no dia 1º de fevereiro, tem uma característica particular. Diferentemente de outras oportunidades, que a paralisação já começava com diversos locais mobilizados, essa tem aumentado a participação exponencialmente ao longo dos últimos 17 dias, chegando a 121 unidades da Petrobrás mobilizadas. E o ânimo e compromisso dos trabalhadores da Refinaria de Paulínia (Replan) parecem acompanhar essa lógica.

Logo no início da manhã desta segunda-feira (17), aproximadamente 300 trabalhadores se reuniram na sede do Sindicato Unificado dos Petroleiros do Estado de São Paulo (Sindipetro-SP), em Campinas (SP), para avaliar e traçar os próximos passos dessa greve que já é uma das maiores da categoria.

De acordo com o diretor do Sindipetro, Jorge Nascimento, o comparecimento massivo demonstra que os trabalhadores estão cada vez mais comprometidos com a paralisação. “É uma participação muito expressiva a que a gente viu aqui hoje. E todos demonstraram a importância de continuar mobilizados para barrar as demissões e a privatização da Petrobrás”, afirma Nascimento.

Participação e compromisso com a greve crescem diariamente (Foto: Guilherme Weimann)

Além de detalhar a agenda de atividades desta semana, a assembleia também encaminhou a participação dos trabalhadores da Replan no ato nacional dos petroleiros, que acontecerá nesta terça-feira (18), no Edifício Sede da Petrobrás (Edise), no Rio de Janeiro (RJ). Serão cinco ônibus que se juntarão a outras caravanas de todo o país.

Contra demissões e desmonte

As demissões de aproximadamente mil trabalhadores da Fafen-PR descumprem o Acordo Coletivo de Trabalho (ACT), que indica na Cláusula 26: “A Companhia não promoverá despedida coletiva ou plúrima, motivada ou imotivada, nem rotatividade de pessoal (turnover), sem prévia discussão com o Sindicato”. Apesar disso, a direção da empresa não comunicou aos sindicatos sobre a sua intenção de fechar a unidade e demitir sumariamente seus funcionários.

Mas esse não foi o único descumprimento do ACT, já que a Petrobrás também impôs uma nova tabela de turno ininterrupto, o que ocasionará um aumento da já elevada sobrecarga de trabalho nas unidades operacionais. A direção da empresa também tem desrespeitado os fóruns de negociação, impondo banco de horas, alterações de escalas de trabalho e mudanças na Assistência Médica.

De 2013 a 2018, a redução de trabalhadores da Petrobrás foi a maior entre todas as petroleiras do mundo, com aproximadamente 270 mil demissões. No quadro de trabalhadores próprios, foram 23 mil demissões, por meio de Planos de Demissão Voluntária, sem reposição de vagas. Em relação aos terceirizados, foram 248 mil trabalhadores demitidos, o que representa uma redução de 68% o número de postos de trabalho.

Além disso, o governo tem um plano de vender 9 das 15 refinarias que possui, o que poderá, caso seja concretizado, ocasionar mais demissões e um aumento ainda maior do preço dos combustíveis.

 

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