Em ato no Rio, categoria dá ultimato à Petrobrás para resolução dos equacionamentos

Centenas de petroleiros se reuniram em frente ao prédio do Edisen; Unificado enviou ônibus com aposentados 

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“A Petros é nossa!”. Petroleiros aumentam o tom contra os equacionamentos e prometem acampamento no Edisen se problema não for resolvido ainda neste mês (Foto Bruno Ferrari/Sindipetro Unificado)

 

Nesta quarta-feira (13), centenas de petroleiros e petroleiras se reuniram em frente ao Edifício Senado (Edisen), no Rio de Janeiro, para realizar mais um ato em defesa dos participantes e assistidos da Petros. 

Este terceiro ato teve como objetivo dar um ultimato à Petrobrás para pagar as dívidas com o fundo de pensão e acabar com os programas de equacionamento de déficit que lesam os aposentados e pensionistas . 

O Sindipetro Unificado enviou um ônibus, que saiu por volta das 23h da terça-feira (12), com aposentados, pensionistas e petroleiros da ativa, das cidades de Campinas, São Paulo e Mauá.

O ato estava marcado para às 11h da manhã, entretanto, por volta das 7h45, dezenas de petroleiros e petroleiras já se aglomeravam em frente ao edifício. A manifestação contou com forte união e cobrança de trabalhadores de diferentes regiões e federações sindicais. 

Seja nas falas e discursos realizados em cima do carro de som estacionado em frente ao Edisen, como também nas conversas entre os petroleiros que estavam presentes, o que se observou foi uma forte comoção e um sentimento de esgotamento total com o problema. Além disso, eram frequentes as ameaças de que se o problema não for resolvido ainda neste mês de março, os petroleiros e petroleiras se organizarão para acampar em frente ao prédio.

O petroleiro Silvio Marques é um dos aposentados afetados pelos equacionamentos e que demonstrou total indignação com a demora na resolução do problema: “Estamos aqui em uma luta histórica para a categoria petroleira, que tenta   restabelecer o seu direito a uma aposentadoria digna. Unificamos a categoria a nível nacional, com representações de vários estados, Campinas, Mauá e Unificado também está aqui nesta luta e isso é muito importante do ponto de vista da categoria petroleira. Chega de equacionamentos! Basta! Nós queremos nosso salário digno respeitado, assim como era quando nos aposentamos”. 

O técnico de operação aposentado da Transpetro e atual diretor do Departamento dos Aposentados (DAESP), Antônio Braz, também lamentou o descaso da empresa: “O aposentado não aguenta mais! Tem gente com o holerite praticamente zerado! Infelizmente a Petrobrás hoje não está pensando no aposentado. Ela está se lixando para o aposentado! Mas nós queremos e vamos reverter esses equacionamentos, esses descontos abusivos”.

Terezinha udovic
“Enquanto eu puder, eu vou lutar!”. Terezinha, pensionista de 82 anos esteve presente no terceiro ato e prometeu luta até o fim contra os equacionamentos (Foto: Bruno Ferrari/Sindipetro Unificado)

Já o diretor do Sindipetro Unificado e da Federação Única dos Petroleiros (FUP), Juliano Deptula, lembrou a importância da união entre trabalhadores da ativa e aposentados neste momento: “Já passou da hora da gestão da Petrobrás e da Petros acharem uma solução para os planos de equacionamentos! Mas é importante não só os companheiros que já lutaram e hoje estão aposentados, mas também quem está na ativa tem que se solidarizar na luta. Defender a Petros de hoje também é defender a Petros do futuro”. 

O coordenador-geral da FUP, Deyvid Bacelar, falou com o Sindipetro Unificado e garantiu que os petroleiros não irão mais pagar o déficit da Petros: “Os petroleiros não aguentam mais esses equacionamentos que tem sangrado a aposentadoria desses trabalhadores  e trabalhadoras que deram sua vida durante, 30, 35, 40 anos a esta grande empresa que é a Petrobrás. A FUP, a FNP, a AMBEP, a FENASPE e a CONTTMAF fazem mais um grande ato para pressionarmos a diretoria executiva da Petrobrás e o seu conselho de administração para que seja aportado o valor necessário ao plano. Estamos falando de R$ 42 bilhões de um déficit que precisa ser sanado. R$ 21 bilhões devem ser pagos pela patrocinadora, que é a Petrobrás, conforme a lei, mas os outros R$ 21 bilhões nós não iremos pagar. Tá na hora da Petrobrás pagar essa conta e nós não descansaremos até resolvermos esses equacionamentos assassinos”. 

A pensionista Terezinha Pereira Udovic, de 82 anos, deixou um forte recado e apelo para aqueles que não estiveram presentes hoje: “Eu não aguento mais equacionamento! Daqui a pouco vou receber só um papel. Mas, enquanto eu puder, eu vou lutar. E todos deveriam ir atrás e não ficar em casa só aguardando que os outros lutem por eles e  só colher os frutos da luta dos outros”.  

Radiovaldo Costa, membro do conselho da Petros finalizou o ato deixando um recado direto ao presidente da Petrobrás, Jean Paul Prates: “Nós estamos aqui com delegações de todos os estados onde temos a categoria petroleira organizada, com a representação de diversas unidades que representam a categoria em todo Brasil, para cobrar  da direção da Petrobrás uma solução completa para o grave problema que atormenta 55 mil pessoas em todo Brasil, que é o equacionamento!”.

Radiovaldo encerrou com um forte grito de guerra, apoiado pelas centenas de petroleiros presentes: “A Petros é nossa! E se não tivermos uma solução, já na próxima vez a gente vai vir aqui para acampar! E daqui a gente não sai, daqui ninguém tira, até que tenha uma solução para os equacionamentos”. 

 

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