Editorial: A nós é destinada a vitória, a eles o lixo da história

Mudança na presidência da Petrobrás não deixa margem para dúvida, já que o indicado por Bolsonaro para assumir a cadeira foi explícito: “a solução definitiva só virá com a privatização”; deste lado, garantimos: ele não terá um dia de descanso sequer

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Petroleiros endossam a luta contra o desmonte da Petrobrás (Foto: Sindipetro Bahia)

Por Sindicato Unificado dos Petroleiros do Estado de São Paulo (Sindipetro-SP)

A Petrobrás passa mais uma vez por trocas de cadeiras, com as saídas do presidente da estatal, o general Joaquim Silva e Luna, e do presidente do Conselho de Administração, o Almirante Eduardo Bacelar Leal Ferreira. Entretanto, as mudanças serão ainda mais maléficas para o povo brasileiro e para os trabalhadores da empresa.

A indicação de Adriano Pires para assumir o posto mais alto da estatal não deixa margem para dúvida: é uma explícita sinalização ao mercado. Se com o general Joaquim Silva e Luna os acionistas foram agraciados com mais de R$ 100 bilhões em dividendos no ano passado, com Pires a projeção é ainda mais preocupante.

O novo gestor da companhia, indicado por Bolsonaro, escreveu um artigo em outubro do ano passado no qual aponta uma série de soluções paliativas para os preços dos combustíveis, como a criação de uma conta petróleo ou de um fundo de estabilização (que retiraria os recursos dos royalties destinados à saúde e educação), mas não deixa de emitir sua opinião peremptória: “a solução definitiva só virá com a privatização da Petrobrás”.

A escolha de Rodolfo Landim para presidir o Conselho de Administração também não fica atrás – no sentido negativo. Ela representa um escárnio aos trabalhadores, que foram massacrados com sua truculência quando ocupou o cargo de gerente geral na Bacia de Campos, na década de 90. Mais do que isso, é a indicação de uma pessoa que desistiu da Petrobrás para embarcar na canoa furada chamada de OGX, puramente por interesses de ganhos pessoais – em quatro anos na empresa de Eike Batista, multiplicou seu patrimônio em 240 vezes.

Aqueles que ainda, mesmo diante da realidade exposta em praça pública, acreditavam que a Petrobrás poderia voltar a ser indutora do crescimento nacional, geradora de riquezas ao povo e motivo de orgulho em uma gestão de militares pseudonacionalistas como os que hoje encerram seu trabalho na companhia, viram que o projeto de desmonte está escancarado.

A realidade é dura e não vem de hoje. Estamos perdendo nossa soberania desde o golpe de 2016, com a venda da BR Distribuidora, a destruição dos campos maduros, o aumento constante das exportações de óleo bruto e a superdistribuição de dividendos a acionistas inescrupulosos e sedentos por matar a galinha dos ovos de ouro – tudo às custas do povo brasileiro, que hoje paga os combustíveis mais caros do mundo.

Diante de tanta desgraça, o que mais podem fazer? Quais as maldades que ainda restariam a eles? Respondemos: muito ainda há a ser destruído, os ataques aos trabalhadores devem se intensificar e a intenção principal, como anunciada pelo novo presidente da empresa, é a privatização total da empresa.

Os que acreditaram na conversa fiada do ex-presidente Roberto Castello Branco, antecessor de Silva e Luna, de que a Petrobrás se concentraria no Sudeste, não acreditavam que o abismo estava a um passo. Quem vem aí, Adriano Pires, é alguém que já estava trabalhando como consultor informal do Ministério de Minas e Energia, esteve na desastrosa gestão da Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANP) no início dos anos 2000, a mesma que apostava na “Petrobrax” e que teve seus sonhos privatistas barrados pela eleição de um operário.

Adriano é o retrocesso, é a aposta certeira do mercado na continuidade do fatiamento dessa empresa e na destruição de um sonho sonhado há mais de 70 anos com a campanha “o petróleo é nosso”, representa o lodo do mercado financeiro de onde Bolsonaro buscou Paulo Guedes e os “Chicago Boys” e que hoje são as bases da destruição da economia brasileira.

Sabemos o que esperar, mas do lado de cá haverá resistência como sempre, usaremos de todas as nossas forças para dar um basta nesta tentativa insana de destruir o Brasil e nossa empresa. Ao senhor Adriano Pires, desejamos que já peça seu boné, que nem sequer ouse em colocar seus planos privatistas a serviço desse genocida chamado Bolsonaro.

Os ventos da mudança estão chegando por toda a América Latina, mas não os esperaremos, o faremos bater à porta do novo presidente da Petrobrás, sem descansar um dia sequer. Recuperaremos o que é nosso, não só a nossa companhia, mas o direito de seguir sonhando com um mundo melhor. Resistimos ao neoliberalismo tucano de Fernando Henrique Cardoso e resistiremos mais uma vez.

A nós é destinada a vitória, a eles o lixo da história.

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