Divergindo de grandes petroleiras, Petrobrás abre mão do ramo petroquímico

Contratação da JPMorgan para assessorar a venda da participação na Braskem é o pontapé inicial dos desinvestimentos da estatal na área petroquímica 

Além da atitude divergente em relação à petroleiras internacionais, segundo pesquisador, a saída da Petrobrás do ramo petroquímico pode trazer prejuízos para a região de Camaçari, na Bahia (Foto: Adobe Stock)

Por Petróleo dos Brasileiros

Na última segunda-feira (9), a Petrobrás anunciou a contratação de JPMorgan para assessorar a venda de sua participação na Braskem, maior empresa petroquímica na América Latina, como parte do plano estratégico da companhia de desinvestimentos até o ano de 2025.

Detentora de 47% do controle total da Braskem, a Petrobrás dá o passo inicial para a sua saída do mercado petroquímico, que deve ser prosseguida com a venda de outras três participações da estatal: na Deten Química, na Companhia Petroquímica do Nordeste (Copenor) e na Fábrica de Catalisadores Carioca (FCC), respectivamente.

Economista, sociólogo e pesquisador do Instituto de Estudo Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep), William Nozaki alerta que a atitude da companhia em optar pela saída do mercado petroquímico, para focar somente na produção e exploração do pré-sal, vai na contramão das decisões tomadas pelas maiores petrolíferas do mundo.

“Essa decisão [da Petrobrás] é contrária à de grandes petrolíferas e exploradoras de petróleo, porque o ramo petroquímico, dentre todas as discussões sobre transição energética e uso da commodity, é um dos que certamente vai permanecer vigoroso no próximo período com oportunidades de negócio relevantes para essas empresas”, afirma.

O pesquisador também apontou que, caso as vendas das participações na Braskem e da Deten sejam concretizadas, a Petrobrás provocará um impacto significativo no polo petroquímico de Camaçari, na Bahia, onde há participação relevante de ambas as empresas.

“Do ponto de vista nacional, esse é mais um dos fenômenos que jogam água no moinho da desindustrialização, colaborando para a perda de atuação do capital nacional no segmento industrial brasileiro”, explica Nozaki.

No caso da Deten, empresa líder na produção de insumos para detergentes biodegradáveis, a Petrobrás possui 27,8% das ações.

Demais vendas no setor petroquímico

A estatal ainda planeja vender sua participação na  Copenor, empresa responsável por suprir consideravelmente metanol e derivados para o agronegócio, indústria química e mercado de biocombustíveis brasileiro.

No ramo petroquímico, o último desinvestimento previsto é com a venda da Fábrica de Catalisadores Carioca (FCC), responsável por resultados em catalisadores e aditivos para o craqueamento catalítico de petróleo – processo que transforma o óleo em combustíveis como gasolina, diesel e gás de cozinha.

Ainda de acordo com William Nozaki, com o plano estratégico que põe fim às participações da companhia no ramo petroquímico, a Petrobrás, enquanto maior empresa pública brasileira, atrasa a industrialização nacional. “Como um dos motores do desenvolvimento industrial brasileiro, a Petrobrás perde potência saindo do ramo petroquímico”, conclui o pesquisador.

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