Defender os empregos, a Petrobrás e o Brasil

Faixa estendida no Terminal Guararema da Transpetro

 

Por Norian Segatto e Alessandra Campos

Petroleiros e petroleiras de todo o Brasil responderam com um sonoro SIM ao chamamento da FUP e de seus sindicatos para promover uma semana de paralisações, atos e diálogo com a sociedade em torno de um tema que parte da mídia ofusca: qual é a importância da Petrobrás para o desenvolvimento do país? Essa resposta é fundamental para compreender o processo de desmonte implementado pelo governo e a reação da categoria, que luta por empregos, por direitos, mas também para manter a Petrobrás pública, forte e soberana.

E para que essa luta tenha sucesso, o diálogo com a sociedade e o envolvimento de outros setores organizados são essenciais e foi isso que a categoria buscou fazer ao longo da semana.

 

Greve no Unificado

Mobilização na Replan

Desde as primeiras horas da manhã da segunda-feira, 25, trabalhadores/as da Replan e da Recap se concentraram nas portarias das refinarias para iniciar as mobilizações. Os atos ocorrem nacionalmente em defesa da Petrobrás, dos empregos, do cumprimento do acordo coletivo mediado pelo TST e pela mudança da política de preços para a cobrança de valores justos dos combustíveis.

Na Replan, petroleiros bloquearam a portaria Sul da refinaria. A ação foi uma resposta ao comportamento irresponsável da gestão da refinaria, que decidiu tomar medidas totalmente contrárias ao acordo de regramento do movimento.  Em uma ação mentirosa, a Petrobrás apresentou ao Tribunal Superior do Trabalho (TST) um vídeo feito na portaria da Replan como “prova” de abuso do direito de greve. A ação foi totalmente desmentida pelo Sindicato (clique aqui para saber mais , mas serviu como base para o Tribunal impor pesadas sanções aos sindicatos e à FUP (leia mais abaixo).

Recap

Na Recap, os trabalhadores do turno e do administrativo realizaram um paralisação de oito horas. Os companheiros terceirizados também aderiram ao movimento, entrando após a realização do ato na portaria da refinaria. Segundo relato do diretor Auzélio Alves, a gerência da refinaria colocou supervisores substituindo trabalhadores que estavam no turno dentro da empresa para que as PTs fossem liberadas.

A mobilização continuou nos dias que se seguiram até a quinta-feira, quando o movimento foi encerrado.

Terminais de Guararema e Barueri

 

Mentiras e confronto
Auzélio Alves na Recap

A direção da Petrobrás recorreu ao Tribunal Superior do Trabalho (TST) na tentativa de criminalizar o movimento sindical. A empresa mentiu ao afirmar que negociou efetivos com a direção do movimento sindical. Sem ouvir a versão dos sindicatos, o ministro do TST Ives Gandra atendeu a liminar da Petrobrás que determina o bloqueio arbitrário das contas da FUP e dos sindicatos e a suspensão do repasse das mensalidades sindicais, além de pesadas multas.

A FUP e seus sindicatos começam agora a construção de uma nova greve contra a privatização da Petrobrás. “Não assistiremos de braços cruzados ao desmonte que esse governo e a gestão irresponsável de Castello Branco estão impondo à companhia. A Petrobrás é do povo brasileiro e cabe a nós, os trabalhadores da empresa, chamar à luta a sociedade organizada, para que juntos possamos defender esse patrimônio que é de todos nós”, afirmou o coordenador nacional da Federação, José Maria Rangel.

 

 

Doação de sangue e combustível a preço justo
Campanha no Hemocentro da Unicamp

 

Várias ações foram programadas para acontecer durante a semana, entre elas, a doação de sangue. Aproveitando a data de 25 de novembro (Dia Nacional do Doador de Sangue), a categoria se mobilizou para “dar sangue pela Petrobrás”, mostrando seu comprometimento com o país.

Em Campinas, os trabalhadores da refinaria fizeram a campanha de doação de sangue ao Hemocentro da Unicamp.

 

 

 

 

Norte Fluminense

Na quarta-feira, os sindicatos do NF e do Espírito Santo promoveram uma distribuição de combustível a preços justos. Em Campos dos Goytacazes (NF), os petroleiros subsidiaram 200 botijões de gás, vendidos ao preço de R$ 30,00, menos da metade do valor praticado pelo mercado. Em Linhares (ES), o sindicato patrocinou descontos de R$ 40,00 para os 100 primeiros motoristas que abasteceram seus veículos com gasolina ou diesel em um posto às margens da Rodovia BR 101. O objetivo das ações foi denunciar que o aumento no custo do combustível é um dos prejuízos da sociedade com a privatização da Petrobrás.

 

Passeata e panfletagem no Centro de Paulínia

A cor laranja coloriu o Centro de Paulínia na manhã do dia 27. Vestidos com a farda da Petrobrás, petroleiros da ativa e aposentados, junto com apoiadores, realizaram uma passeata e panfletagem na cidade que abriga a Replan, para alertar a população sobre as consequências malignas que a privatização das refinarias da Petrobrás trará ao Brasil.

O grupo, com cerca de 100 pessoas, se concentrou na Praça da Amizade, ao lado do Corpo de Bombeiros. Com faixas defendendo o pré-sal e a educação e contra a privatização e o alto preço da gasolina, do diesel e do gás de cozinha, os participantes seguiram em caminhada pela Avenida José Paulino, uma das principais vias do município, até a Rua Expedicionário Paulo Emidio Pereira, retornando à praça central.

Gustavo Marsaioli durante a passeata

Durante o percurso, o grupo distribuiu panfletos aos trabalhadores do comércio e às pessoas que transitavam pelo local, enquanto o diretor do Sindicato Gustavo Marsaioli dava o recado em alto som.

“Defendemos continuar sendo donos das nossas refinarias. Não podemos permitir que elas sejam vendidas a empresas estrangeiras e não podemos acreditar nessa falsa notícia de que a privatização vai baixar os preços. Não vai, isso é mentira!”, argumentou.

O dirigente explicou que o preço dos combustíveis está alto porque o governo atrela o valor desses produtos à cotação internacional do barril de petróleo e do dólar. “A política de preços praticada pela Petrobrás precisa ser revista, porque a empresa tem plenas condições de baixar os valores dos combustíveis, garantindo um preço mais acessível ao povo brasileiro”, afirmou.

Marsaioli convocou a sociedade para estar ao lado dos petroleiros nessa importante luta contra a privatização. “A Replan e a Petrobrás devem continuar nas mãos do povo brasileiro, porque isso é o melhor para esta cidade e para o país”, declarou.

O ato de conscientização no Centro de Paulínia foi encerrado com o grito de guerra: “Defender a Petrobrás é defender o Brasil”.

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